A abordagem do sobrenatural pode ir muito além da presença de espíritos nas tramas. Muitos autores se utilizam do realismo fantástico para contar suas histórias, por mais naturalistas que elas sejam.
Dias Gomes foi mestre em criar tipos complexos e estranhos, como homens alados e mulheres que explodem de tanto comer, dois exemplos da clássica "Saramandaia", de 1976 – que ganhou um remake de repercussão mediana no ano passado. "Dias parte do estranhamento para retratar a realidade. É quase um crônica com toques de fantasia. Foi assim que recriei a partir da obra dele", conta Ricardo Linhares, autor da segunda versão.
Outros autores também flertam de forma intensa com o realismo fantástico, casos de nomes como Aguinaldo Silva e Antônio Calmon. No entanto, esse tipo de linguagem atingiu seu nível mais livre com a saga mutante de "Caminhos do Coração", assinada por Tiago Santiago e exibida pela Record entre 2007 e 2009.
No mesmo "caldeirão", Tiago misturou vampiros, super-heróis, espiritismo e mitologia grega, entre outras referências. "A grande viagem da novela foi não se limitar. Essa liberdade foi fundamental para o sucesso dos mutantes", conta o autor. (G.B.)

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