ReproduçãoCaetano Veloso inspira artistas visuais em livro que será lançado em novembro no Rio de JaneiroNelson Sato
Caetano Veloso é fonte permanente de homenagens. Sua obra, quer queiram ou não os detratores e desafetos, se perpetua também como matriz inspiradora de idéias repercutindo em todas as áreas culturais do país.
Agora mesmo, está em gestação um livro que promete abalar o meio artístico no segundo semestre do ano reunindo 80 letras de canções de sua autoria acompanhadas de trabalhos visuais - nelas inspirados - assinados por artistas de linguagens diversas como artes plásticas, poesia, teatro e publicidade.
O livro, já batizado de A Imagem do Som de Caetano Veloso, será lançado pela editora Francisco Alves em novembro numa grande exposição no museu do Paço Imperial, no Rio de Janeiro. O projeto, que tem o patrocínio da Petrobrás, está sendo articulado pelo designer gráfico carioca Felipe Taborda com a colaboração da PB-Marketing Promocional.
Arquivo FolhaCarlos Zimmerman: artista plástico paranaense está criando tela inspirada na música ‘‘Sorvete’’‘‘Eu ainda não vi nada, mas sei que os artistas estão pirando. Eles me contam que estão viajando na imaginação, movidos pela poética de Caetano’’ - informa Taborda, por telefone. Convém lembrar que o homenageado em questão foi o principal responsável por introduzir, no Brasil, o debate em grande escala acerca do estatuto da palavra cantada na hierarquia dos gêneros literários.
Ao lado de companheiros do tropicalismo como Gilberto Gil e Torquato Neto, Caetano reforçou a atribuição de nobreza poética conferida à letra da canção popular reiterando uma tradição antiga que remonta aos gregos e trovadores provençais.
Para não ir tão longe, o artista baiano seria herdeiro de uma linhagem de craques do verso musicado que inclui nomes como Lupiscínio Rodrigues, Orestes Barbosa e Vinicius de Moraes. Não à toa, ele foi o primeiro compositor pátrio a ganhar um songbook no país com direito à transcrição de músicas e letras de 135 canções de seu repertório.
Arquivo FolhaO fotógrafo J.R.Duran integra o time de profissionais que vai ilustrar o livro com letras de Caetano velosoÉ boa parte dessa produção que o novo projeto vai transportar para as páginas do livro e para as paredes da exposição. Entre as canções selecionadas constam ‘‘Qualquer Coisa’’, ‘‘Sampa’’, ‘‘Língua’’, ‘‘Livro’’, ‘‘Rapte-me Camaleoa’’, ‘‘Gente’’, ‘‘Baby’’, ‘‘Beleza Pura’’, ‘‘Sete Mil Vezes’’, ‘‘Muito Romântico’’, ‘‘Eu Sou Neguinha’’, ‘‘Jóia’’, ‘‘Você é Linda’’, ‘‘Tropicália’’, ‘‘Luz do Sol’’, ‘‘London London’’ e ‘‘Alegria Alegria’’.
Detalhe: os artistas convocados para ilustrá-las não puderam escolher as músicas de sua preferência. Taborda optou pelo sorteio. A lista de participantes abrange, além das categorias citadas, estilistas, fotógrafos, videomakers, cartunistas e criadores de bonecos.
Entre os nomes incluídos figuram Alexandre Hertchovitch, Arnaldo Antunes, Tunga, Siron Franco, Laerte, Angeli, Geraldo Thomas, Guto Lacaz, Daniel Senise, Antonio Peticov, Patrício Bisso, Luiz Zerbini, Waltércio Caldas, Rubens Gershman, Sebastião Salgado e J.R.Duran.
Dois curitibanos participam do tributo ao compositor: o artista gráfico Miran, que está criando sob estímulos da música ‘‘Samba, Suor e Cerveja’’, e o artista plástico Carlos Eduardo Zimmermann, que preparou um trabalho em cima da canção ‘‘Sorvete’’. O artista plástico Jejo Cornelsen e o artista gráfico Elifas Andreato, ambos paranaenses radicados no Rio, também foram elencados.
‘‘Executei uma pintura figurativa com acrílico sobre tela, usando as imagens sugeridas pela música’’ - adianta Zimmerman. Os artistas deverão entregar as colaborações até o dia 30 de agosto para, logo em seguida, Taborda iniciar a edição do material, que será impressso na Itália. O livro vai incluir uma introdução de sua autoria, um texto de Caetano e outro de caráter institucional da Petrobrás.
Para o lançamento, em novembro, Taborda planeja contar com a presença de todos os envolvidos no projeto. Mas, como a maioria dos artistas é de fora do Rio, ele negocia patrocínio com outras empresas de porte para custear as viagens. A exposição dos trabalhos ficará instalada no Paço Imperal, de 19 de novembro até o final de fevereiro. Durante a mostra será realizado um leilão das obras expostas, e a renda resultante será doada a uma instituição beneficente escolhida de comum acordo por Caetano Veloso e o patrocinador.

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