Profissionais de todo o mundo mostram o melhor da sua produção na 3ª Bienal Internacional de Fotografia, que começa em Curitiba na próxima quinta-feira
Dentro de poucos dias, Curitiba se tornará o centro das atenções da fotografia mundial. O principal evento do gênero na América do Sul, a 3ª Bienal Internacional de Fotografia, reunirá no período de 5 de outubro a 26 de novembro mais de 1200 imagens feitas por 90 renomados fotógrafos nacionais e estrangeiros. Ao todo serão 20 exposições espalhadas pela cidade, sendo 11 internacionais e nove nacionais.
Em meio a extensa programação, um dos destaques é a mostra ‘‘Linguagens da Imagem’’, que estará sediada na Casa Vermelha (Setor Histórico do Largo da Ordem). Ali, 15 profissionais que representam a fotografia criativa atualmente produzida no Brasil estarão apresentando seus trabalhos. Entre eles, além dos fotógrafos, estão também alguns artistas plásticos que utilizam a fotografia para suas experiências de linguagem.
‘‘Acredito que ‘Linguagens da Imagem’ será a grande exposição da bienal’’, aposta o fotógrafo paulista Iatã Cannabrava. Ele participará da mostra com o interessantíssimo trabalho ‘‘Nem Perfume Nem Cor’’, que reúne 13 fotografias.
São imagens do Rio de Janeiro, registradas em 1996. ‘‘As fotos foram feitas para um trabalho comercial que não deu certo’’, conta Cannabrava. Na tentativa de mudar o resultado final, ele deixou os slides em estufas, interagindo com culturas de fungos e bactérias, durante dois anos. ‘‘As imagens foram desconstruídas, o que era cinza ganhou cores, houve uma aceleração do tempo’’, comemora.
Na bienal, o fotógrafo tem ainda outra importante participação, como curador da exposição ‘‘Um Olhar Sobre o Mundo’’, que estará no Memorial de Curitiba. São cerca de 70 imagens que registram algumas das mais significativas descobertas do século 20 e mostram o planeta pelas lentes de conceituados fotógrafos internacionais.
A exposição foi encomendada para comemorar os 112 anos da revista americana ‘‘National Geographic Magazine’’ e o lançamento da sua versão em língua portuguesa. Apresentada com sucesso em Recife e São Paulo, a coletânea irá para várias outras cidades brasileiras depois da participação na bienal de Curitiba.
No processo de seleção, Cannabrava conta que ‘‘mergulhou’’ em toda a produção fotográfica da revista e optou pelas imagens mais humanistas. ‘‘Procurei enfocar o papel do homem na Terra’’, explica. O fotógrafo Miguel Rio Branco foi o único brasileiro selecionado, com suas imagens da selva amazônica, do Rio de Janeiro e do Parque Indígena do Xingu.
O curador comenta que o mais importante na mostra é revelar o trabalho dos próprios fotógrafos da revista. ‘‘Eles são meio expedicionários, meio heróis’’, elogia. Cannabrava comenta a difícil rotina desses profissionais, que chegam a ficar meses fora de casa para conseguir uma boa imagem. ‘‘Uma pauta pode custar até seis meses e 300 rolos de filme’’, exemplifica.
Voltando à tão aguardada exposição ‘‘Linguagens da Imagem’’, que apresenta interessantes experiências fotográficas, um dos destaques será o trabalho do artista plástico brasileiro Alex Flemming, que mora na Alemanha.
São cinco fotos gigantes de jovens atletas, nas quais Flemming inseriu, através do computador, mapas de regiões em guerra, como se fossem tatuagens. Sobre as fotos, o artista ainda pintou trechos de letras de músicas brasileiras ou trechos da Bíblia.
A intenção da exposição, intitulada ‘‘Body Builders’’, é surpreender o público, questionando o absurdo da guerra, com suas causas e consequências.
Além de Flemming e Cannabrava, participam da mostra Odires Mlászho, Arnaldo Pappalardo, Rochelli Costi, Marcelo Zocchio, Vick Muniz, Rosânegela Rennó, Miguel Rio Branco, Maria Di Andréa Hagge, Milton Montenegro, Rogério Ghomes, Vilma Slomp, Hirosuke Kitamura e Juliana Stein.

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