Flagrantes do cotidiano, captados pelas lentes do repórter-fotográfico Mário César, podem ser conhecidos, a partir de hoje, na exposição ‘‘Cenas Urbanas’’, na Biblioteca José Laffranchi, da Universidade Norte do Paraná, Unopar, em Londrina. O fotojornalismo é a tônica dessa primeira individual de Mário César, 29 anos, que iniciou a carreira há 8 anos, na Folha de Londrina/Folha do Paraná.
Foram reunidas 20 imagens – 3 em preto-e-branco e 17 coloridas – algumas publicadas na primeira página do jornal. São registros realizados a partir de 1995. Nas palavras do repórter-fotográfico, a intenção é suscitar questionamento nas pessoas, que muitas vezes se chocam com a crueza das imagens. Nesse olhar sobre o cotidiano, ele flagrou a alegria contagiante subsistindo em meio à miséria extrema. Algumas imagens se mostram atemporais, sem nenhum indício que possa denunciar o crespúsculo do milênio. O fotógrafo ressalta o poder catalizador das crianças, hipnotizadas pelo click da câmera. ‘‘Procuro mostrar a falência e o completo colapso do sistema’’, diz. Por trás da plasticidade das imagens, há um forte componente de denúncia social. A estética da fome captada em instantes únicos.
Na concepção do profissional, as cenas cotidianas, muitas vezes, se diluem nas páginas do jornal. Deslocadas de sua finalidade original e ampliadas, as fotos se redimensionam, levando à reflexão. No espaço escolhido para a exposição trafegam formadores de opinião, que podem manter de forma contundente o contato com a realidade crua. ‘‘A exposição me fez repensar meu próprio trabalho, buscando reflexão onde posso melhorar como fotógrafo’’, prossegue.
O jornalista Ranulfo Pedreiro faz uma dobradinha com Mário César, apresentando textos literários inspirados nas imagens. Não é uma tradução das fotos, um texto-legenda como se diz no jargão jornalístico, mas complementos em forma de crônicas. Mário César cursa o primeiro ano de Propaganda e Marketing na Unopar. ‘‘Cenas Urbanas’’ contou com a orientação do editor de fotografia Folha e professor universitário Milton Dória. A exposição prossegue até o dia 10 de novembro.