Não há como contar a história da música pop sem passar por Rolling Stones e Bob Dylan. Mas, há sempre que se lembrar que esta história só é completa se na lista forem incluídos Beatles e, claro, David Bowie. Se livros ajudam a contar este capítulo da música, fotos são testemunhas oculares. A mais cult das galerias de retratos do mundo, a National Portrait Gallery, em Londres, escolheu as cenas clicadas pelos maiores fotógrafos da cena pop para revelar, em 150 imagens, como Londres sofreu uma verdadeira revolução comportamental nos anos 60.
A mostra ''Beatles to Bowie'', em cartaz até o dia 24, é ótima opção para os que vão de férias à capital inglesa. Já os que ficam no Brasil podem encomendar o catálogo pela internet (www.npg.org.uk). O preço é bem razoável (cerca de U$ 22.50, em torno de R$ 65). O trabalho tem curadoria de Terence Pepper e mais de uma centena das fotos que compõe a exposição, além de ensaio crítico de Jon Savage.
O que se vê nas paredes são cenas que explicam por que Londres se tornou a Swinging London e até hoje sustenta a fama de cidade vibrante e vanguardista, onde tradição e modernidade convivem e, ao mesmo tempo, entram em conflito o tempo todo.
A clássica rivalidade entre Beatles e Stones não poderia ficar de fora. Para mostrar quanto cada banda era diferente, mas, ao mesmo tempo, agente de uma mesma revolução nos costumes, entram em cena imagens históricas clicadas pelas célebres lentes de nomes como David Bailey, Gered Mankowitz e Robert Whitaker.
Na seleção, que separa ano a ano as revoluções por minuto de uma geração, entram também temas como a revolução feminina, a psicodelia, a liberação sexual. Figuras como Mary Quant (que vendeu a primeira minissaia da História na lendária Carnaby Street), a meiga Helen Shapiro ilustrando a capa da ''Woman's Mirror'' em 1961, e Anita Pallenberg, que divide com Jagger a cama no set de ''Performance'', que Cecil Beaton clicou em 1968. Já que o passeio termina com Bowie, a sensualidade da época surge no visual provocativo do cantor que, fotografado por David Bebbington em 1969, surge com sua figura andrógina e 'espacial' em um figurino digno de seu primeiro top 10 hit: ''Space Oddity''.

mockup