Acervo de Chotei Kotinda é composto por 424 fotografias, 30 estão na exposição no Espaço Cultural Ceddo
Acervo de Chotei Kotinda é composto por 424 fotografias, 30 estão na exposição no Espaço Cultural Ceddo | Foto: Chotei Kotinda/ Divulgação



Chotei Kotinda (1917-1952) ainda era um bebê de colo quando chegou ao Brasil há um século junto com a onda migratória que trouxe milhares de famílias do Japão para o Brasil, principalmente para o interior do Paraná e de São Paulo. Já na fase adulta passou a registrar o cotidiano familiar em fotografias que tornaram-se um de seus hobbies preferidos. Após passar por um processo de restauração, o acervo pessoal do imigrante deu origem a uma exposição que marca o centenário de seu nascimento. Aberta na semana passada, a mostra pode ser visitada gratuitamente até o dia 30 de junho, no Espaço Cultural Ceddo.

A exposição reúne 30 fotografias produzidas por Chotei Kotinda entre os anos 1940 e 1952, data de sua morte causada por um câncer. "Meu pai adora fazer imagens da nossa família. Muito antes da selfie virar moda, ele já fazia retratos nos quais também aparecia como fotografado ao lado da família. Isso era possível porque a máquina que ele usava naquela época, uma Voigtländer Bergheil, de 1936, já tinha uma temporizador", lembra o Celso Kotinda, filho do imigrante que foi responsável pela recuperação do acervo do pai.

Reunindo fotografias que estavam em posse dele e de seus três irmãos, Celso recuperou um acervo composto por 424 fotos, sendo quatro cópias, 244 negativos de celuloide, 154 negativos de vidro e 22 slides de celuloide. "Comecei a pesquisar na internet e constatei que a melhor maneira de fazer essa restauração seria com a limpeza dos negativos feita com benzina retificada e dei início ao trabalho. Em seguida, fiz fotos digitais dos negativos utilizando um visualizador de radiografias. Foi um trabalho minucioso feito com muito carinho", afirma o engenheiro aposentado.

Já com o material recuperado, Celso reuniu-se com seus irmãos Cecília, Cristian, e Cristina para fazer a seleção das imagens que fariam parte da exposição. "A gente não tinha planejado montar uma exposição, mas fomos convencidos pela Yone Kotinda (curadora do Espaço Cultural Ceddo), que é nossa prima. A partir dessa proposta, reunimos todos os irmãos e cada um selecionou suas fotografias preferidas", conta Celso.

Celso Kotinda recuperou as fotografias do pai num trabalho minucioso
Celso Kotinda recuperou as fotografias do pai num trabalho minucioso | Foto: Roberto Custódio



As imagens que compõem a mostra reúnem vários retratos tirados na cidade de Lins, cidade escolhida pela família Kotinda após a vinda do Japão. "Meu pai viveu entre Lins e Cafelândia. "Meu pai adorava esportes e fez parte da quarta turma do curso de Educação Física da USP, formando-se em 1938. Como foi registrado como brasileiro, serviu o Exército no 3º Grupo de Artilharia de Dorso em Campo Grande (MS) em 1940, quando foi condecorado por ter salvo um colega de afogamento. Ele era muito respeitado e querido como professor de educação física, tanto que foi homenageado pelas prefeituras locais que deram seu nome a uma avenida na cidade de Cafelândia e a uma sala no Instituto Americano de Lins", relata Celso. Chotei Kotinda faleceu no dia 25 de março de 1952, com apenas 35 anos. "Ele morreu muito jovem, mas nos deixou um exemplo de vida admirável", conclui o filho.

Serviço:
Exposição Professor Chotei Kotinda
Quando – Até 30 de junho (segunda a sexta-feira, das 8 às 12 horas e das 14 às 18 horas e aos sábados, das 8 às 12 horas)
Onde – Espaço Cultural Ceddo (Rua Pernambuco, 725)
Entrada Franca

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