Imagens que falam
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de dezembro de 2000
Celso Mattos De Londrina 
Visualmente belo, Três Estações recebeu o grande prêmio do júri, o prêmio de público e de fotografia no Sundance Festival de 1999. Além disso, o diretor estreante Tony Bui, de 26 anos, saiu como um dos mais novos queridinhos do cinema independente americano. Três Estações é o primeiro longa americano inteiramente rodado no Vietnã desde o final da ocupação militar, em 1973.
O único rosto conhecido do público é o do ator Harvey Keitel que interpreta um veterano de guerra que retorna ao Vietnã na tentativa de encontrar sua filha. Ninguém, no filme, diz frase alguma capaz de explicar o comportamento dos personagens, mas as imagens insinuam o que se esconde em cada história contada. Lacunas a serem preenchidas pelo espectador também aparecem nos demais eixos dramáticos do filme.
Toda a crítica social de Três Estações é feita através de imagens e sons. Às vezes, a beleza das flores é tão intensa que dá até para sentir o aroma dos lótus branquíssimos. Quem melhor conduz a passagem do tempo é uma jovem recrutada para a equipe de mulheres que colhe flores diariamente, entoando canções tradicionais, nos arredores do templo onde vive um mestre espiritual. Mas o filme se desenvolve também em torno de um condutor de bicicleta, espécie de táxi, que se apaixona por uma prostituta de luxo a quem costuma transportar e um garoto que trabalha como mascate. Através destas pessoas, o diretor constrói um filme belíssimo sobre um país em transformação. Vale a pena conferir. Lançamento da Cult Filmes. Duração: 113 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
ReproduçãoFilme faz um retrato pouco convencional da guerra da Bósnia
Beautiful People
Vencedor da mostra Um Certo Olhar, no Festival de Cannes de 1999, Beautiful People faz um retrato pouco convecional da guerra da Bósnia. Pode-se dizer que o filme é uma mistura de Trainspotting e Além da Linha Vermelha. Do primeiro, o diretor iugoslavo Jasmin Dizdar retirou as referências pouco pragmáticas sobre o uso de drogas, já do segundo, apropriou-se de imagens doloridas de uma guerra.
A história se passa em Londres e mostra a vida de cinco pessoas envolvidas com a guerra da Bósnia: um hooligan viciado em heroína que acaba dormindo sobre uma carga de suprimentos e vai parar na linha de front; uma enfermeira que se apaixona por um imigrante bósnio, indo contra sua família de parlamentares; um jornalista que acaba adquirindo uma obsessão por pernas amputadas depois de voltar de uma reportagem na Bósnia e um médico que tenta convencer uma mulher vítima de estupro na guerra a não recusar o filho.
Beautiful People alterna drama e comédia com muito senso de responsabilidade, sem nunca ser caricato. Além disso, o filme não tem medo de colocar o dedo em uma das feridas mais purulentas da sociedade moderna. Lançamento da Cult Filmes. Duração: 107 minutos.
ReproduçãoPeter Mullan, interpreta Joe, um ex-alcoólatra neste belo filme de Ken Loach
Meu Nome é Joe
Críticas sociais e questões éticas contornam esta história de amor assinada por Ken Loach, um dos mais politizados diretores em atividade. O filme deu a Peter Mullan, a Palma de Ouro de melhor ator no Festival de Cannes de 1999. Meu Nome é Joe tinha tudo para se transformar num melodrama duro de aguentar. Afinal, conta a história de um ex-alcoólatra que treina um time medíocre na cinzenta Glasgow, na Escócia.
Mas nas mãos do cineasta inglês Ken Loach, que fez Terra e Liberdade, o filme ganha contornos desconcertantes e generosas doses de realismo. Joe é um cara batuta que gosta de ajudar as pessoas e, por causa disso, acaba se envolvendo com traficantes da pesada. É quando ele conhece a assistente social (Louise Goodall) e pinta uma atração entre eles. Nasce um amor que caminha aos trancos e barrancos, fazendo com que o telespectador se identifique com personagens tão humanos. Meu Nome é Joe é sobre as difíceis escolhas que temos que fazer na vida e as incertezas que isso nos traz. Com diálogos inteligentes e personagens profundos, o filme se distancia dos estereótipos americanóides.Lançamento da Cannes. Duração: 105 minutos.


