Um ciclo de revisões da obra do fotógrafo nipo-brasileiro Haruo Ohara (1909-1999) está em curso. Um dos mais importantes, senão o maior deles, artistas revelados em Londrina terá suas imagens outra vez em destaque nesta e na próxima temporada a partir de uma série de tributos que comemoram o seu centenário.
A celebração inclui lançamento de livro, exposição e a produção de um curta-metragem. O calendário de homenagens será inaugurado hoje, às 19h30, com o lançamento do livro ''Haruo Ohara'' (edição independente), do fotógrafo curitibano Orlando Azevedo, no Auditório Alcides Bueno, na Unopar.
O evento conta com a palestra ''Modernismo e Ruptura na Fotografia Brasileira'', na qual o autor posiciona o legado de Haruo Ohara ao lado das obras de nomes como José Oititica, Thomas Farkas e Geraldo Barros. A entrada é gratuita. A promoção é do curso de Artes Visuais/Multimídia da Unopar.
O volume reúne mais de 100 fotos assinadas pelo fotógrafo pioneiro, que chegou a Londrina em 1933 para trabalhar como lavrador. Dividido em quatro temas, reconstitui a poética do artista respectivamente em flagrantes dedicados à família, ao nascimento da cidade, ao ciclo do café e às abstrações inovadoras.
O livro foi idealizado há 11 anos, quando o autor selecionou fotografias de Ohara para a Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba, da qual era curador. Um pouco antes, Azevedo viera a Londrina para visitar uma exposição dedicada à obra do artista, organizada pelo poeta Rodrigo Garcia Lopes. Na ocasião, conheceu pessoalmente o homenageado e ficou impactado com seu trabalho.
''Foi paixão ao primeiro olhar'', lembra. ''Quem viu as fotos jamais as pode esquecer. São imagens de fazer sonhar realizadas por quem acredita na vida e no outro. Uma verdadeira declaração de amor à nova pátria e à saga da família em seus momentos de trabalho e de alegria, de poesia e contemplação''. Voltou a Curitiba e, mesmo tendo já definida e fechada a programação da Bienal, tratou de incluir Ohara no evento.
Além do livro, o fotógrafo agricultor será lembrado em abril de 2010 com uma exposição retrospectiva e o lançamento de um curta-metragem dirigido por Rodrigo Souza Grota. A exposição será organizada pelo Instituto Moreira Salles, responsável pelo acervo do artista. A curadoria irá selecionar trabalhos de um total de 8 mil negativos em preto e branco, 10 mil negativos em cores; centenas de fotografias reveladas; dezenas de álbuns; equipamentos fotográficos; objetos e documentos pessoais; livros; além de um diário.
O curta-metragem, por sua vez, tem o título provisório de ''Pausa para a Neblina''. Sua estréia estava prevista para a 11 Mostra Londrina de Cinema (que ocorre de 28 de novembro a 05 de dezembro), mas não ficou pronto a tempo. O filme encerra a chamada ''Trilogia do Esquecimento'', composta ainda pelos curtas ''Satori Uso'' e ''Booker Pittman'', ambos realizados com patrocínio do Promic e direção de Rodrigo Grota.
Duas filhas do fotógrafo participam do curta-metragem: Tomoko e Maria. O papel de Haruo é interpretado pelo professor londrinense Marco Hisatomi. Não se trata, porém, de um documentário biográfico, mas de um filme de ficção baseado na vida do grande fotógrafo.

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