São poucos os autores brasileiros que trabalham com narrativas não-verbais. Um bom exemplo está na figura do artista plástico Juarez Machado. Em seus livros de desenhos, ele consegue desenvolver narrativas tranquilas e ao mesmo tempo reveladoras. Superar a linguagem das histórias em quadrinhos elevando-a para uma outra estética é um de seus méritos.
A Editora Agir acaba de lançar ‘‘Limite’’, obra de Juarez Machado onde isso fica claro. O livro apresenta a história de um personagem procurando libertar-se do quadro em que está inserido. Preso na moldura do quadrado da página, experimenta as mais mirabolantes idéias, possíveis e impossíveis, em busca da liberdade – ou a superação da situação.
‘‘Limite’’ foi criado a partir de um sonho de Juarez no fim dos anos 60. Era uma época em que o artista suava as mãos desenhando histórias em quadrinhos na parede de uma nova loja de roupas em Copacabana, Rio de Janeiro. Foi publicado originalmente em 1970 pela Editora Francisco Alves. Após 30 anos de esquecimento, o livro volta às prateleiras sem perder o frescor. Por conter boas doses de ludicidade, continua oferecendo várias possibilidades de leitura.
Trabalhando apenas com desenhos sequenciais, Juarez Machado faz uso de um delicado humor para apresentar a vida como uma eterna resolução de problemas. O personagem de ‘‘Limite’’ demonstra como a existência é uma contínua tentativa de resolução do momento presente. E o grande teor da vida não estaria na solução propriamente dita, mas na tentativa, contínua e constante. Seja ela permeada por grandes dores ou pequenas alegrias. Nesse contexto, uma hora ou outra, a luz no final do túnel se revela não como o paraíso, mas como o início de um outro túnel. E depois, outro e mais outro túnel.
Neste ano, Juarez Machado comemora 60 anos de idade e 40 de carreira artística. No segundo semestre, dois novos livros de desenhos de sua autoria devem ser publicado pela Editora Agir. (M.L.)
• Limite - De Juarez Machado, Editora Agir, 68 páginas, R$ 19,00.

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