Curitiba – O termo ‘‘Véu de Maia’’ era usado por Arthur Shopenhauer para definir um véu que estaria diante das pessoas, impedindo-as de ver as coisas como elas realmente são. O fotógrafo curitibano Roberto Reintenbach se apropriou do termo para realizar uma série de fotografias que tem sobre tema central o movimento cotidiano. O resultado é o livro ‘‘Véu de Maia’’, que será lançado hoje, no Instituto Goethe, em Curitiba.
O livro traz uma centena de fotografias em preto-e-branco, selecionadas entre cerca de 10 mil trabalhos realizados pelo autor. Há três anos, Reintembach prepara ‘‘Véu de Maia’’. Entre percalços e intempéries ele conseguiu um resultado mágico, artesanal no belo sentido da palavra. Todas as fotografias – assim como os filmes – foram ampliadas por ele, sem recursos computadorizados ou manipulações que mancham o trabalho e não oferecem descanso aos sentimentos.
Nas fotografias de Reitembach, um véu imagético recobre o movimento, alguns criados pelo próprio observador, outras pelo fotógrafo. ‘‘O livro é uma leitura do não-convencional’’, define. Fotografando desde os 12 anos – ele tem 40 – Reintembach interrompeu as fotografias de teatro e dança que realizava nos palcos curitibanos para se dedicar inteiramente ao projeto do livro, lançado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura.
Neste primeiro livro, além das imagens, ele assina também o projeto gráfico. No texto de abertura, prefere não falar sobre o trabalho: ‘‘Não quero e acho que não devo falar sobre essas imagens. Muito menos sobre como ou porquê foram feitas. Meu papel ou missão, se preferirem, foi trazê-las do lugar onde existiam e acomodá-las neste nosso estranho mundo’’. E complementa: ‘‘Agora é por conta delas. Podem falar mais e melhor por si mesmas’’.
Serviço:
Lançamento do livro ‘‘Véu de Maia’’, de Roberto Reintembach. Hoje, a partir das 20 horas no Instituto Goethe (Rua Reinaldino S. de Quadros, 33), em Curitiba.

mockup