IMAGENS DO COTIDIANO
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de agosto de 2000
Simone Mattos De Curitiba 
Do outro lado do Oceano Atlântico, há um país onde as casas são estreitas, as ruas são de água, os bondes coloridos, o povo alegre e a mentalidade liberal. Alguns pequenos detalhes desse universo chamado Holanda foram registrados pela câmera da fotógrafa curitibana Izabel Liviski. O resultado pode ser visto a partir de amanhã, na exposição Janelas Para a Holanda, que ficará até o final do mês na Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba.
Durante a viagem, realizada no último outono europeu, cerca de 300 fotos foram feitas. Destas, menos de 50 foram selecionadas para a mostra. Dispostas em 28 painéis, elas se misturam a bolachas de chopp, bilhetes de bonde, entradas de museus, recortes de histórias em quadrinhos e vários outros ricos materiais gráficos, formando interessantes composições.
Num dos painéis exibo o rosto de um negro, de um loiro e de um indiano, mostrando a diversidade racial que há nas ruas de Amsterdam, comenta Izabel. A exposição, que tem o apoio do Consulado da Holanda e da Secretaria da Cultura, apresentará ainda objetos típicos do país, como louças, miniaturas e postais.
Quando saiu do Brasil para uma simples viagem de turismo, Izabel não planejava trazer na bagagem material para uma exposição. Quando cheguei e avaliei as fotos, surgiu a iniciativa de expor o trabalho, conta.
Descendente de poloneses, a fotógrafa já havia realizado algo semelhante durante uma viagem anterior, quando as imagens que captou de cidades polonesas se transformaram na exposição Alma Polaca, apresentada em Curitiba.
De sua recente experiência, Izabel conta: Quando cheguei ao Aeroporto de Schipol em Amsterdam, chovia muito e fazia frio... Despida de idéias preconcebidas do que fotografar, fui andando ao acaso pelas ruas e fotografando cenas comuns, retalhos do cotidiano, pessoas que achava interessantes. Sabia que eu não queria fotos convencionais de revistas de turismo, paisagens e arquitetura deslumbrantes. Concentrei-me nas coisas que meu feeling apontava, e aí surgiu a paixão pelas janelas das casas e escritórios e por extensão das vitrines de lojas e vidraças de bares: amplas, decoradas com generosidade. Andando na chuva com minha sombrinha estampada por folhas de Cannabis, recém-comprada, olhava para as casas através de suas janelas e tudo parecia aconchegante e intimista.
Ela comenta que acabou tornando-se uma obsessão fotografar janelas, o que originou um processo de interação entre ela e os observados. Atrás delas muitas vezes havia personagens curiosos, como um cão dentro de um carro, crianças numa escola de arte ou um velho num bar, lembra.
O ponto máximo de seu trabalho foi quando flagrou a sua própria imagem refletida na vitrine de uma casa de jogos, entre máquinas vazias. Simbolicamente compreendi que na busca de entender o outro acabamos buscando respostas para nossas próprias questões essenciais, diz ela.
A exposição Janelas Para a Holanda, da fotógrafa Izabel Liviski, será inaugurada no dia 8, às 18 horas, no hall térreo da Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133), em Curitiba. A mostra poderá ser vista até o dia 31.


