Iara Lessa
De Londrina
Especial para a Folha2
Desconstruir os elementos que compõem a imagem, esta é a missão do artista plástico londrinense Fernando Martinez, que abre hoje, às 20 horas, no Espaço Cultural Catuaí, mostra individual com 10 trabalhos onde o artista mistura técnicas e materiais variados. Aliás, elementos pouco usuais às telas é uma das fissuras de Fernando, que já utilizou a terra de Londrina e região para colorir uma série de trabalhos.
Desta vez, preocupado em destruir a imagem, Fernando apela para a parafina, tinta à base de óleo, recortes de jornais, fotografias antigas, telas justapostas, telas emendadas umas às outras, pedaços de madeiras encontrados pelas ruas da cidade, uma ilustração do pé de Leonardo da Vinci, e, até mesmo, fogo, já que parte do material exposto teve acabamento na base do maçarico, técnica que já rendeu ao artista algumas perdas de trabalhos além, é claro, de umas chamuscadas na pele. ‘‘Neste trabalho experimental é preciso saber parar. Já tive telas destruídas por que queimei demais. Mas, no geral, o produto final fica bonito, impressionante at钒, acredita o artista.
O artista se apropria de imagens conhecidas - obras de autores consagrados, por exemplo - e interfere de forma que, a imagem possa até ser identificada, mas seu sentido original acaba se perdendo. ‘‘A idéia da destruição é mesmo forte. Se observarmos atenta e longamente algumas telas, dá pra ver os pedaços das imagens que utilizei, mais o conjunto não tem nada a ver com as imagens utilizadas. Uma foto de uma família alemã acaba se transformando em um elemento das asas de um anjo, por exemplo. Na verdade, pouco me importa a imagem original, ela é apenas um instrumento para mostrar e destacar outros elementos’’, diz.
A exposição, batizada de ‘‘Carne Diária’’, busca na poesia um reforço extra, já que todas as telas são acompanhadas de pequenos textos de autoria da poeta e cantora Neuza Pinheiro. ‘‘A idéia é abrir, misturar o gráfico com o poético e mostrar os caminhos que a obra permite percorrer. Há várias leituras já que os elementos são muitos’’, conta Fernando.
Aliás, essa providencial ajuda da poesia levou Fernando a diversificar ainda mais seu trabalho e o autor aproveita a mostra para lançar o livro ‘‘àmarg꒒, um catatalzinho de 135 páginas que mescla textos e imagens gráficas produzidas exclusivamente em computador. ‘‘A idéia do livro, escrito nos últimos quatro meses durantes as madrugadas de insônia, é justamente propor uma casamento perfeito entre imagem e texto, e não apenas fazer uma ilustração qualquer, figurativa, apenas reforçando a idéia do texto. A proposta do livro ‘àmargê’ é ir além. Se você ler apenas a poesia ou olhar apenas a ilustração não vai ter a dimensão exata do trabalho, já que os dois elementos andam, necessariamente, de mãos dadas’’, explica Fernando.Artista plástico abre mostra em Londrina usando imagens detonadas como ponto de partida da criação
ReproduçãoCom fins do Éden (técnica mista sobre tela, 1,43 X 1,18 m)ReproduçãoUm ponta pé... (técnica mista sobre tela, 1,16 X 0,95)ReproduçãoDou uivo às uvas... (técnica mista sobre tela, 1.04 X 1,50 m)ReproduçãoFernando Martinez também está lançando ‘‘Àmarg꒒, que reúne textos e imagens gráficas feitas com computador

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