IMAGENS DE UM PAÍS DE SONHO
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de novembro de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
As palmeiras que tão bem simbolizam o tropicalismo brasileiro, são o tema principal da exposição que abre hoje, às 20 horas, no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba. À Sombra das Palmeiras compõe-se de 30 quadros do artista plástico Arnulf Rainer e 12 do botânico von Martius.
Esta é uma homenagem aos 500 anos do Brasil, com patrocínio do Centro Cultural Banco do Brasil, do Ministério das Relações Exteriores da Áustria, através do Consulado Geral da Áustria, no Rio de Janeiro, e pelo Instituto Goethe. A mostra permanecerá aberta ao público até o dia 20 de dezembro.
Um aspecto importante deste evento é a possibilidade do público apreciar a produção artística de Carl Friedrich Phillip von Martius (1794/1868), botânico alemão que dedicou a maior parte de sua vida ao estudo da flora brasileira, e à organização do imenso material colhido durante a expedição realizada entre 1817 a 1820.
Von Martius veio ao Brasil no final do ano de 1816, junto do zoólogo Spix. Desembarcaram no Rio de Janeiro, depois de passar por São Paulo, seguiram viagem pelas províncias de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Piauí e Maranhão. A partir de São Luiz fizeram todo um roteiro de barco, subindo o rio Amazonas até Tefé, atingindo depois os rios Japurá e Negro.
De volta à Alemanha (em dezembro de 1820), Martius e Spix levaram junto material suficiente para décadas de estudos sobre Botânica, Zoologia e sobre a vida dos homens desses sertões. Ao final da viagem, Martius está com 26 anos de idade, e até morrer cuidou desse material.
Publicou uma série de livros enfeixados sob o título Flora Brasiliensis, mas não conseguiu dar cabo de toda coleção. Alunos e colegas deram prosseguimento ao projeto do mestre, que foi enterrado, em 15 de dezembro de 1868, com o caixão recoberto de folhas de palmeiras. Como disse Alexander von Humboldt: Enquanto houver palmeiras e onde quer que elas sejam assunto, o nome de Martius não cairá no esquecimento.
Arnulf Rainer é um colecionador de livros antigos, e entre suas raridades está a Historia Naturalis Palmarum, de Martius. Há décadas garimpando obras que trazem gravuras, Rainer tornou-se conhecido internacionalmente nas artes plásticas pelo desenvolvimento da técnica de sobre-pinturas, utilizando para isso principalmente obras dos séculos 18 e 19.
Professor da Academia de Artes de Viena, membro da Academia de Artes de Berlin, teve seleção de sua obra mostrada na Documenta 7, em Kassel, e seus trabalhos constam do acervo de museus importantes, entre eles do MoMa e do Guggenheim.
Sobre o trabalho desenvolvido, a partir de ilustrações seculares, diz o artista que as antigas publicações são livros de inspiração, que excitam e desenvolvem minha fantasia de pintor. Portanto, são cadernos de desenho. Eu os levo até o destino para o qual foram pensados, ou seja, para que artistas de outras épocas possam desenvolver novas imagens a partir deles. Os artistas do futuro vão continuar a desenvolver minhas imagens virtualmente.
As palmeiras brasileiras coroam paisagens magníficas nas imagens de Arnulf Rainer. São retratos do passado, de um País que ficou na memória dos livros, refeitos sobre pintura. O artista, porém, nunca esteve aqui para ele as referências são dos séculos 18 e 19. Receoso de perder o encanto, perguntou a um entrevistador se o que está acostumado a ver ainda existe. Mas, antecipando-se à resposta, determinou: Eu não quero viajar para ver como tudo mudou.
À Sombra das Palmeiras, exposição com 30 quadros de Arnulf Rainer e 12 de C. F. von Martius. Abertura hoje, dia 23, às 20 horas, no Museu Metropolitano de Arte de Curitiba, Avenida República Argentina, 3430. Permanece até 20 de dezembro.


