Apesar da colonização europeia, o Paraná possui a maior população negra do sul do País, correspondendo a 28,5% dos habitantes do Estado, conforme dados do IBGE. Celebrando o Dia da Consciência Negra, a Biblioteca Pública do Paraná (BPP) abriu na última sexta-feira a exposição "Comunidades Quilombolas do Paraná". A mostra reúne 11 fotografias produzidas por Fernanda Castro que retratam o cotidiano de mulheres negras e suas comunidades sociais e culturais. O trabalho está exposto no Hall Térreo da BPP, em Curitiba, e pode ser visitado gratuitamente até o dia 23 de dezembro.
"Pesquiso o tema desde 2001 e durante oito anos integrei o Grupo de Trabalho Clóvis Moura, criado pelo Governo do Estado, para fazer um levamento sobre as comunidades quilombolas do Paraná. Neste período tive a oportunidade de fotografar o cotidiano dos moradores, sobretudo as mulheres", afirma Fernanda. A fotógrafa selecionou para a exposição imagens em que as personagens aparecem manifestando sua religiosidade, bordando, socando pilão, se preparando para festas, entre outas atividades cotidianas.
Quilombolas é o nome que se dá às comunidades onde vivem ex-escravos negros e seus descendentes que na época da escravidão fugiram dos engenhos de cana-de-açúcar, fazendas e pequenas propriedades - onde executavam diversos trabalhos braçais - para formarem pequenos vilarejos chamados de quilombos. Segundo dados do Governo do Estado, atualmente existem aproximadamente 100 comunidades quilombolas espalhadas pelo Paraná, 36 delas certificadas pela Fundação Palmares.
"Entre as maiores delas estão a do Sutil e de Santa Cruz, localizadas próximo a Ponta Grossa. Várias imagens que compõem a exposição foram feitas nesta localidade", afirma Fernanda. Segundo ela, na época da pesquisa, a partir de 2005, os moradores locais ainda relatavam várias situações em que eram vítimas de preconceito. "Muitos quilombolas diziam ter vergonha de ir fazer compras na cidade pois sabiam que seriam discriminados por pessoas que ainda hoje acham que os negros são inferiores aos brancos", conta a fotógrafa.
O relatório produzido pelo grupo de estudos do qual Fernanda fez parte aponta que a maioria das famílias quilombolas ainda vive em situação precária, sobrevivendo da agricultura de subsistência, caça, pesca e extrativismo. A maioria da população tem idade entre 18 e 65 anos e o índice de analfabetismo é relativamente alto, em torno de 10% a 12%.
Formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fernanda Castro foi, durante quatro anos, professora de Foto-Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). De 1980 a 2002, atuou como repórter fotográfica nos jornais Gazeta Mercantil, O Estado do Paraná e Correio de Notícias. Entre seus trabalhos autorais, destacam-se as exposições individuais "Comunidade Negra do Sutil", realizada em 2003 na Biblioteca Especializada em Cinema André Malraux, em Paris, e "Ruídos e Silêncios", exposta no Museu de Arte Sacra, em Curitiba, em 2002.

Serviço:
Mostra "Comunidades Quilombolas do Paraná", de Fernanda Castro
Quando – Até 23 de dezembro. Visitação de segunda a sexta, das 8h30 às 20h, e aos sábados das 8h30 às 13h
Onde – Hall Térreo da Biblioteca Pública do Paraná (R. Cândido Lopes, 133), em Curitiba
Quanto - Gratuito

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