IMAGENS DA NORUEGA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 17 de dezembro de 2001
Zeca Corrêa Leite<Br>De Curitiba 
O ano encerra na Casa Andrade Muricy, o nobre espaço de importantes exposições em Curitiba, com um nome internacional. Abre hoje, às 19 horas, a individual do norueguês Kjell Nupen, ''Viagem Sem Fim''. A temporada que prossegue até 31 de janeiro de 2002 é a porta de entrada do artista na América Latina. Daqui a mostra segue para São Paulo, Montevidéu, Buenos Aires e Cidade do México.
São mais de 50 telas onde Nupen faz faz um passeio por seu país e ao mesmo tempo para dentro de si próprio inspirando-se nos mares que banham a Noruega e em regiões mais distantes, formadas por vales silenciosos. De um lado tem-se a força das águas, o extravasamento, intenso azul permeando as telas. Em contraposição vêm os territórios mais isolados que levam a outras cores e tonalidades, à introspecção.
Kjell Nupen é um dos principais artistas noruegueses. Sua vinda a Curitiba está diretamente ligada à iniciativa paranaense de levar à pequena cidade de Kristiansand um lote com mais de 50 obras de Alfredo Andersen. Foi aí que ele nasceu. Na juventude ganhou os mares, veio parar no Brasil e fixou-se no começo do século passado em Curitiba.
Numa contrapartida cultural a Escandinávia está trazendo para cá um pintor nascido há 46 anos na mesma localidade que Andersen. Enquanto aquele faz parte da história das artes local, este compõe hoje a sua história. É um dos mais renomados artistas plásticos contemporâneos. Sua produção não se limita apenas à pintura, mas se estende a artes gráficas, escultura e cerâmica. Porém, há sempre toques sutis de sua participação como pintor.
Talvez isso se deva em razão da pintura ter grande poder entre os noruegueses. Ela é o meio de expressão dominante na arte local, e mesmo quando as academias européias buscaram outras formas de expressão, a Noruega manteve-se imutável, calcada na tradição. Quando nos anos 70 se deu o movimento da nova figuração, com sua crítica à sociedade, os principais artistas noruegueses expressaram-se especialmente dentro da pintura.
Esse traço acompanha a história local desde o século XIX, sendo que a paisagem é quase onipresente. Além de ser o tema mais importante, é também onde se imprimem as metáforas. Kjell Nupen quando à sua maneira retrata a costa marítima da Noruega, está revelando-se metaforicamente. O curador da mostra, Per Hovdenakk, observa:
Em algumas das imagens pode-se ver um pássaro vindo do mar, preparando-se para pousar. É uma água simbolizando perigo, ataque, agressão, mas também força e um desejo de seguir em sua direção. As paisagens costeiras são compostas por formas geométricas simples, funcionando também como impulsos psicológicos poderosos, tornando as obras extremamente legíveis, guardando, ao mesmo tempo, elementos de inescrutável mistério.
Esses trabalhos fixam-se especialmente no azul, que para Hovdenakk é uma cor diferente do cobalto e do ultramarino, como muitos acreditam ser. Para chegar ao tom desejado, o artista utiliza entre 40 a 50 camadas de tinta. Esse azul atmosférico foi batizado de ''azul de Nupen''. Deixando a costa e avançando para o interior norueguês, o pintor busca materiais na natureza como a seiva, resina, cera de abelha, breu, cinzas, verniz natural.
Nascido em Kristiansand, em 1955, Kjell Nupen fez seus estudos artísticos em Oslo e Dusseldorf, entre os anos de 1972 e 1976. A partir daí até 2000 realizou mais de 40 individuais nas principais cidades de seu país, além da Dinamarca, França e Alemanha. Em coletivas participou de exposições na Alemanha, China, Suíça, França, Suécia, Finlândia, Coréia do Sul, Dinamarca. Agora amplia esse espaço descendo a América e tendo como estréia a mostra curitibana na Casa Andrade Muricy.
''Viagem Sem Fim'', exposição de pinturas do norueguês Kjell Nupen. Casa Andrade Muricy, Alameda Dr. Muricy, 915. Abertura hoje, às 19 horas. Horário para visitas: de terça a domingo das 10 às 20 horas. Ingressos: R$ 3,00 e R$ 1,00 (estudantes). Terça-feira: entrada franca. Portadores de deficiênncia, maiores de 65 anos e menores de 7 anos não pagam ingresso.


