Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Vinte anos antes de estudar pintura, o artista plástico Odilon Ratzke começou a frequentar uma série de cursos no Foto-Clube do Paraná. Passadas quase três décadas, as duas vertentes artísticas unem-se numa mesma exposição, ‘‘Fotogravando 2000’’, que será aberta na segunda-feira, dia 10, às 19 horas, no Museu da Imagem e do Som.
São cerca de 40 trabalhos nas medidas 30x45cm, com interferências do autor nos registros fotográficos – ele joga nos cromos um produto químico e, com isso, obtém alterações que transformam totalmente a leitura da imagem. Para Ratzke é sempre uma surpresa aquilo que virá, por mais que se dedique às pesquisas.
No momento ele utiliza um líquido que não evapora em contato com o cromo. Lentamente o ácido corrói as cores e acaba por criar uma terceira, totalmente diversa. ‘‘A gente nunca sabe o que virá, mas isso é que é gostoso’’, diverte-se.
‘‘Fotogravando 2000’’ abre a temporada anual de exposições do Museu da Imagem e do Som, e pela primeira vez estará mais perto dos curitibanos. Houve uma mostra anterior, no ano passado, no hall do Palácio Iguaçu, mas saiu de cartaz antes do tempo previsto.
Em meados desse mesmo ano as fotos de Ratzke integraram uma coletiva dos alunos que estudam com Edilson Viriato, no Museu de Arte Contemporânea José Pancetti, em Campinas. A diretora do museu, Iracema Salgado, gostou tanto do que viu que pediu ao autor uma doação para seu acervo. Há possibilidades de ocorrer lá uma individual, a exemplo desta que ocorre no MIS.
O fotógrafo e artista plástico explica que sua ‘‘contribuição’’ nos cromos ocorre nos vazios das fotos. ‘‘Não quero interferir completamente; faço-o levemente para dar harmonia às imagens’’, explica.
Paisagens e arquitetura antiga estão na preferência de Odilon. A figura humana era mais comum quando trabalhava com o preto e branco. ‘‘Este é um trabalho que não tem conserto’’, diz, sobre a ousadia de jogar ácido sobre os cromos.
Fotogravando 2000 – Exposição que será aberta no dia 10 de janeiro, com encerramento previsto para 4 de fevereiro. Museu da Imagem e do Som, Rua Barão do Rio Branco, 395, fone (41) 232-9113. Atendimento ao público de segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas.

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