IMAGENS A PARTIR DE MONTAGENS E FUSÕES
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de outubro de 2000
Elisa Marília Carneiro De Curitiba 
Dentro da mostra Linguagens da Imagem, o experimentalismo passa pelo uso diversificado de equipamentos fotográficos e os recursos do computador
A cor saturada em movimentos nebulosos formam a densidade visual das fotografias de Hirosuke Kitamura, também presentes na mostra Linguagens da Imagem, da 3ª Bienal Internacional de Fotografia de Curitiba. Ele usou filmes para o dia, num bordel da Bahia para a mostra Casa dos Encontros. O desbalanceamento do filme imprime cores irreais de um ambiente real.
Vilma Slomp optou por imagens recortadas em fotos-objetos, de um cotidiano que remete à volúpia, à política, ao passado e à sexualidade. Por sua vez, Milton Montenegro usa a mitologia em montagens e fusões computadorizadas. As imagens são construídas usando o imaginário mitológico segundo a interpretação do autor.
Olhando-se para o teto da Casa Vermelha vê-se uma amostra do trabalho do fotógrafo Arnaldo Pappalardo. Ele imprime imagens digitalizadas, em tecidos enormes, num verdadeiro trabalho de produção para posterior construção da imagem. Como exemplo, há uma foto de uma lona de caminhão com a cidade de São Paulo ao fundo.
Inspirando-se na teoria do psicanalista italiano Lambroso, Rosângela Rennó reproduziu fotografias de cabeças com os redemoinhos de cabelos em evidência. Os originais foram feitos a partir de cromos antigos em vidro reproduzindo detentos do presídio do Carandirú, em São Paulo. Segundo o psicólogo, redemoinhos definiriam a periculosidade de cada pessoa.
Viajando pelo Amazonas, Maria Di Andréa Hagge, produziu fotos de paisagens que batizou de Risos Pagãos do Sol - Viajantes. As fotos foram feitas usando velocidades baixas do obturador de modo a estabelecer movimentos, em cores que não correspondem às originais.
Por fim, as obras de Alex Fleming são tatuagens de mapas de territórios bélicos, em corpos sensuais, como uma referência às discussões do poder político e controle de territórios, que remetem à violência de uma postura humana.
Exposição Linguagens da Imagem, da 3ª Bienal Internacional da Fotografia, na Casa Vermelha, no Largo da Ordem, em Curitiba, até o dia 26 de novembro, de terça a sexta-feira, das 9 às 18 horas; sábados, domingos e feriados, das 9 às 15 horas.


