A imagem de São Francisco de Assis encontrada em agosto, durante a limpeza dos detritos do vazamento de óleo da Petrobras, em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba), está sendo restaurada pela especialista Suely Deschermayer, do Setor de Restauração da Secretaria de Estado da Cultura.
O tratamento de limpeza deve levar um ano para ser concluído. Nesse período será desencadeado um processo de pesquisa para levantar dados sobre a origem da imagem. Os professores da Universidade Federal Do Paraná Igor Chmyz e Umberto Clock de arqueologia e engenharia florestal, respectivamente, farão os levantamentos técnicos da idade e tipo e composição da madeira, peso molecular, entre outros dados. Ao mesmo tempo uma equipe, também da UFPR, tentará descobrir a autoria da peça e o local de origem.
Por enquanto, a imagem ficará submersa em água desmineralizada. Aos poucos a água será substituída por um produto especial, até que seja feita a secagem gradualmente. ‘‘O valor dessa peça é simbólico pelo fato de ter sido encontrada no meio de um desastre ecológico e de ser São Francisco de Assis, um santo protetor da natureza. Temos poucos dados, somente que pesa em torno de 25 quilos, tem 1,20 metros de altura, resíduos de tinta (o que supõe-se que era pintada) e que a madeira provavelmente é imbuia’’, diz Suely.
A peça foi esculpida num tronco único de madeira e está sem os pés e as mãos. Duas réplicas iguais a essa serão executadas pelo artista plástico Elvo Benito Damo. Uma ficará na sede da Petrobras e a outra irá para a cidade de Araucária, num local que a comunidade ainda definirá. Esse trabalho só poderá ser iniciado quando a equipe de restauração liberar a peça para o molde. Depois disso, o artista leva cerca de um mês para finalizar as réplicas.

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