Iluminadores também se destacam no Prêmio Shell
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quinta-feira, 14 de março de 2002
Zeca Corrêa Leite<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Beto Bruel, o iluminador de teatro que mais acumula troféus Gralha Azul na prateleira, terá que achar espaço para a estatueta do Prêmio Shell. Na noite de terça-feira Bruel subiu ao palco do Hotel Sheraton, no Rio de Janeiro, como o melhor da categoria pela peça Memória da Água. Um dia antes, em São Paulo, o Prêmio Shell de iluminação ia para o múltiplo Rodolfo García Vásquez, diretor e iluminador de Sapho de Lesbos, que estreou nacionalmente em Curitiba, no Espaço Satyros.
Bruel, com 30 anos de carreira, disse à Folha2 que está vivendo um momento particularmente feliz. Até bem pouco tempo atrás estava quieto em Curitiba, mas daí foi convidado por Felipe Hirsh para fazer a luz de Som e Fúria. Ali começou a atravessar as divisas do Estado; foi indicado ao mesmo prêmio, mas não levou. Agora tem um Shell nas mãos e seu nome estampado na ficha técnica dos espetáculos Os Solitários, estrelado por Marieta Severo e Marco Nanini e Jantar Entre Amigos Pequenos Terremotos, que está estreando em São Paulo, depois de cumprir temporada de sucesso no Rio, com Renata Sorrah, Xuxa Lopes, Mario Schoemberger e Otavio Mueller.
Nunca imaginei estar iluminando Marieta Severo no Teatro Alfa Real, espanta-se Bruel. Apesar do reconhecimento que começa a surgir, Beto Bruel continua sendo o tímido contumaz. Quem recebeu o prêmio para ele, no Rio, foi sua filha. Quando não é ela, é a mulher (e também atriz) Regina Bastos. O profissional que chegou ao Rio e São Paulo pelas mãos de Felipe Hirsh, tem contrato com o diretor até o ano de 2004.
Rodolfo García Vásquez entendeu o prêmio da edição paulistana como um aceno de boas vindas ao grupo Satyros, que passou nove anos fora de São Paulo. Na maior parte do tempo esteve em Portugal, depois fez um estágio em Curitiba e somente agora retornou à cidade. Senti como se dissessem: Não larguem São Paulo. Nesse sentido o prêmio é muito legal.
Outra particularidade interessante é que Sapho de Lesbos foi montada em Curitiba, depois teve sua versão paulistana, mas com a maior parte do elenco original. É interessante notar que estamos fazendo teatro curitibano em São Paulo, diverte-se Vásquez. Outro aspecto positivo que o Prêmio Shell outorgou à companhia foi o reconhecimento ao seu trabalho que era visto por uma parcela como sendo grupo especializado em trabalho alternativo. Agora não temos mais esse peso, respira alivido.


