Arquivo FolhaTrilha que leva à Praia de Lopes Mendes: areia fina e boa para surfeEntre as trilhas fundamentais de Ilha Grande, uma imperdível é a que leva ao Pico do Papagaio, montanha com 959 metros de altura e cuja silhueta, vista do povoado, lembra, como o próprio nome indica, a cabeça de um papagaio.
A subida demora aproximadamente três horas e meia, dependendo do preparo de quem encara. E, avisa-se desde já: é fogo na jacutinga! Exige preparo físico, condicionamento de marombeiro experimentado e, de preferência, alongamento e aquecimento prévios.
A linha de partida é a mesma para a trilha que vai para a Praia de Dois Rios, no canto direito da Vila do Abraão. Durante uns 20 minutos caminha-se pela antiga estrada (aliás, a única da ilha) que levava presos e mantimentos para o Presídio Cândido Mendes. De repente, o guia aponta uma entrada à direita, no meio de um barranco, e a encrenca começa. A subida é feita em Mata Atlântica fechada, o que alivia um pouco o calor. No meio do caminho três pontos com água cristalina que desce da serra ajudam a repor as energias. Tem até um cipó estrategicamente colocado para o pessoal brincar de Tarzã e descontrair um pouco.
Tanto sacrifício é mais do que recompensado quando se chega ao topo do pico. De lá é possível ter uma visão panorâmica da ilha. Não se esqueça de levar a máquina fotográfica. Em dias de céu claro, dizem, dá para ver o Rio.
Outra trilha radical demora cerca de quatro dias e dá uma volta completa por Ilha Grande. É coisa para macho. Quem se aventura tem de andar em ritmo forçado, sempre no limite da resistência.
Uma trilha menos demorada, porém bastante puxada, é a que é feita no norte da ilha. Sai da Praia Vermelha, boa para mergulho e onde há até um navio afundado, e vai parar na Gruta do Acaiá, famosa pela água azul-turquesa do seu interior e também porque, além da entrada por terra, permite acesso pelo mar num mergulho considerado de risco, pois a boca da gruta fica submersa, ao sabor das marés. Quem esteve lá garante que o passeio é muito bonito.
Há também um roteiro, de um dia de duração, que parte de Araçatiba (praia com areia clara, mar verde e vila de pescadores) cortando o sudeste da ilha em mata fechada, passa pela Praia do Aventureiro (maior do que Araçatiba, onde rola surfe quando o mar está agitado), pelas Praias do Sul e do Leste (que somam uns cinco quilômetros e ficam dentro da Reserva Biológica da Praia do Sul, onde há cachoeiras e animais) e culmina na Praia de Parnaioca com cerca de um quilômetro, é boa para pesca de costão e conserva ruínas de fazendas de traficantes de escravos e de um vilarejo abandonado.
Outras três trilhas mais simples compõem um pacote básico: a que parte da Vila do Abraão para a Praia de Dois Rios, onde estão as ruínas do presídio, tem 11 quilômetros e pode ser vencida em duas horas devido ao grau médio de dificuldade. Outra que sai da Vila do Abraão, passa pela Praia de Palmas (onde há muita sombra de coqueiros e chapéus-de-sol, uma vila de pescadores com barzinho e uma igrejinha) e vai até a Praia Lopes Mendes (em mar aberto, com areia fina, boa para surfe). E a trilha que sai do Píer, à direita da Vila do Abraão, e chega à Cachoeira da Feiticeira, numa caminhada tranquila de uma hora e meia, com apenas um ponto mais crítico: uma rampa íngreme e escorregadia de cerca de 50 metros. O passeio compensa não só pela cachoeira, mas, também, pelo escorregador de pedras, num patamar acima da cachoeira.

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