Ilha revela traços da colonização
Santo Domingo - Quem vai ao Caribe pensando apenas em sol, praias de areias brancas e água cristalina fica surpreso ao perceber que a região tem muito mais a oferecer. Visitar a República Dominicana e, principalmente, sua capital, Santo Domingo, é um tour histórico, com direito a fortalezas e lendas.
Cada rua da ciudad colonial, a parte velha de Santo Domingo, mostra um traço da colonização espanhola, responsável tanto pelos belos prédios quanto pela dizimação dos nativos, os taíno. Trinta anos após a chegada de Cristóvão Colombo à ilha, em 1492, não havia mais índios na região.
Em estilo gótico tardio, com detalhes românicos, a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Santa Maria da Encarnação é a primeira construída nas Américas. Segundo estudiosos, o prédio começou a ser erigido em 1514, mas a data mais aceita é 1523, que consta na igreja.
A catedral tem 14 capelas, fora a principal, e está conservada graças à ação do Patronal Cultural, que promove a restauração dos casarios e monumentos. Assistir à primeira missa do domingo é uma interessante experiência para os que conseguirem se afastar da praia. O inconveniente é acordar cedo, porque a celebração começa às 8 horas.
Também é preciso ter cuidado na hora de escolher a roupa. Apesar do calor caribenho, ninguém entra de camiseta, short, bermuda ou minissaia. Como muitos se esquecem disso ou não sabem, abriu-se espaço para um tipo de serviço diferente: o aluguel de camisas. Por US$ 0,60, o turista aluga uma blusa florida, com a qual pode entrar na igreja.
Afinal, tudo tem solução. Ou, nas palavras dos dominicanos, no hay problema. Como o turismo é a principal fonte de renda do país, os nativos tratam bem os estrangeiros.
A segunda parada é na Rua Las Damas, a mais antiga da cidade. Segundo a lenda, a via recebeu esse nome porque Maria de Toledo, nora de Cristóvão Colombo, costumava andar por ela toda tarde, acompanhada de 30 damas. O passeio poderia parecer inocente, mas estava longe disso. Tinha por objetivo conseguir casamento para as moças, por meio do qual tanto elas quanto a ''madrinha'' teriam benefícios. Isso porque quem se casasse com alguma das damas tinha de pagar um dote a Maria de Toledo.
A principal atração da rua é a fortaleza que ganhou o nome do rio que corta a cidade: Ozama. A construção foi erigida para que os espanhóis vissem com antecedência a chegada de invasores ingleses e franceses. O forte fica aberto diariamente, das 9 às 19 horas, e aos domingos, até as 15 horas. Também na Las Damas estão o Museu Las Casas Reales e a Casa de Rodrigo Bastidas.
No fim da rua chega-se à Praça Espanha, que concentra boa parte da vida noturna da cidade. De dia, o atrativo é o palácio Alcázar de Colón, onde viveu o filho de Colombo, Diego. O prédio é uma mistura de vários estilos, do gótico ao clássico.
Em testamento, Colombo pediu que seus restos fossem levados a La Espanhola, primeiro nome da ilha dividida entre República Dominicana e Haiti. A vontade de Colombo, no entanto, só foi cumprida em 1544, quase 40 anos depois de sua morte. Maria de Toledo fez o traslado dos restos da Espanha até a República Dominicana, deixando-os na Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Santa Maria da Encarnação, onde ficaram esquecidos até 1785.
Só dois séculos depois, em 1986, foi construído o Farol de Colombo, onde estariam seus restos. Visto de cima, o monumento tem a forma de uma cruz. Quem quiser visitar o local, deve desembolsar cerca de US$ 1. Mas controvérsias cercam o assunto. Os espanhóis juram que os restos de Colombo não estão na ilha, mas em Sevilha, na imponente catedral da cidade. (C.M.)





