Ilha do Breu - Depois de alguns dias na Ilha do Breu, você vai achar qualquer zoológico meio sem graça. Para essa sensação se tornar evidente, basta um pequeno passeio entre as grandes árvores que formam a flora local. Você pode deparar-se com um casal de flamingos estacionado no meio do caminho, sem ligar a mínima para sua presença. Ou ser abordado por um dos dois cervos que vivem livremente na ilha. Há muito mais: preguiças, tucanos, uma arara-azul, um papagaio, dois belos pavões, esquilos e as grandes estrelas da ilha: três micos-leões dourados, que estão sempre por perto, saltitando de galho em galho e, por vezes, visitando os hóspedes nas janelas das cabanas.
O dono da ilha, o empresário Márcio Gouveia, é um apaixonado pela natureza. Conhece cada animal que vive em sua propriedade e é reconhecido por todos eles. O curioso é que o pequeno viveiro natural nasceu por acaso. Há cerca de 20 anos, encontrou uma preguiça andando na estrada e decidiu levá-la para a ilha. Tempos depois, um policial rodoviário achou outra e lhe deu, formando assim o primeiro casal de preguiças. Hoje, há entre cinco e oito desses animais.
Já o cervo chamado Bambi chegou à ilha ainda filhote, depois de ter a mãe morta por caçadores. Tornou-se a alegria dos hóspedes, circulando por todas as dependências do Breu, incluindo o bar e o restaurante. Recentemente, Gouveia adquiriu uma ''noiva'' para o Bambi, ainda filhote. A expectativa é de que a família aumente em breve. Para o empresário, os animais são, ao mesmo tempo, uma alegria e um problema, especialmente os três micos-leões. Como são a mãe e dois filhos, não há possibilidade de procriação. Numa tentativa de solucionar o problema, Gouveia pediu uma fêmea para o Ibama. ''Esse foi meu erro'', diz o dono da ilha. ''Eles caíram em cima de mim, deram parecer negativo para a ilha e pediram dinheiro'', revolta-se.
A indignação de Gouveia tem lógica. Muitos dos animais que vivem na ilha estariam mortos não fosse a intervenção do empresário. Um bom exemplo é a arara-azul, que chegou em péssimas condições ao local e praticamente renasceu na ilha. Hoje, a ave é um dos habitantes mais simpáticos e dóceis do Breu. Se você ganhar sua confiança, ela até mesmo se empoleira no seu braço, feliz da vida. É um bom exemplo de uma das maiores lições da Ilha do Breu: a natureza agradece quando é bem tratada.

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