No meio do Oceano Pacífico e distante 3.700 quilômetros do litoral chileno, esta pequena ilha vulcânica atrai a cada dia mais visitantes. Rapa Nui, ou Ilha de Páscoa, como é mais conhecida, é um dos lugares mais misteriosos do mundo. Diz a lenda que o maligno Uoke removeu o fundo dos mares polinésios, destruindo ilhas e provocando tempestades e terremotos.
Do país de Hiva, ele veio levantando terras com uma grande alavanca e logo afundou todas elas. Mas, ao chegar a Rapa Nui, seu instrumento quebrou e assim a ilha se salvou da destruição.
Jogada caprichosamente no meio da maior extensão de água do planeta, Rapa Nui é um triângulo de 118 quilômetros quadrados e seus habitantes a chamam também de Tepito o Te Henua, ou ‘‘Umbigo do Mundo’’, título muito sugestivo para este longínquo território. Mas o nome Ilha de Páscoa foi dado por um estrangeiro: o navegador holandês Jacob Roggenveen, que lá teria aportado na Páscoa de 1722. Em 1888, foi incorporada ao Chile e até hoje mantém o ar de inexplorada.
Nesse ambiente inóspito, a grande atração são os moais, as estátuas de pedra que ‘‘vigiam’’ a ilha. Ao todo, são 887 espalhadas pela orla, sendo que a maioria olha para o interior de Páscoa. Para conhecer esse destino, bastam três dias, mas, para desvendar seus enigmas, todo tempo do mundo será pouco.
Mapa na mão, descubra a Ilha de Páscoa por conta própria ou com um grupo de turistas. Se a sua opção for a primeira, o melhor é alugar um carro. Uma dica: a posição do sol é sempre importante. Tudo o que estiver nas partes norte e leste conta com boa iluminação até o meio-dia. O lado sul é mais bonito à tarde até o crepúsculo, quando os raios começam a tocar, rasteiramente, rochedos e precipícios, colinas e crateras.
Um bom início de visita em Rapa Nui é o Vulcão Rano Kau, no extremo sul da ilha. Serpenteando por suaves ladeiras, o caminho conduz ao topo, de onde se tem uma vista espetacular da cratera, de 1,5 quilômetro de diâmetro e 200 metros de profundidade.
Extinto há milhares de anos, o vulcão pode fornecer água, retirada de seu fundo, em casos de seca extrema. Na borda inferior crescem parreiras, figueiras e outros frutos. As lagoas de seu interior estão acarpetadas com ilhotas móveis de sapé, que modificam a paisagem constantemente.
Na elevação sudoeste da cratera, numa estreita planície, uma antiga civilização ergueu uma cidadela de pedra. É a aldeia de Orongo onde, durante a primavera, se desenvolviam rituais na espera do primeiro ovo do pássaro sagrado, o ‘‘manutara’’ (andorinha de mar).
O filme Rapa Nui, produzido por Kevin Costner, relata esta e outras cerimônias. É bom, aliás, vê-lo antes de ir a Páscoa. A exibição dos cenários naturais e a apresentação de mitos, lendas e tradições – obviamente fantasiados para dar maior dramaticidade à produção hollywoodiana – ajudam o turista a sentir ainda mais o ar enigmático que se respira na ilha.
A maioria das construções de Orongo conserva sua forma original. Para entrar é preciso engatinhar e as portas permitem o acesso de uma só pessoa por vez. Em várias delas há pinturas rupestres adornando as paredes.
Todas as casas ficam de costas para a cratera e a poucos metros surge um precipício de mais de 200 metros, que vai dar nos rochedos em que o imenso mar azul bate com força. Daí se observam as Ilhotas, ou ‘‘motus’’, de Kao Kao, Iti e Nui. A amplitude do oceano é tão grande que se tem a sensação de estar vendo a curvatura da Terra. Uma visão inesquecível.
A aldeia termina numa ponta da cratera, onde uma fina parede impede que o vulcão se esvazie no mar. Nesse local, as rochas estão cheias de gravuras rupestres que mostram os homens-pássaro ou Tangata Manu. Nesse local, o arqueólogo norueguês Thor Heyerdahl descobriu um observatório solar que marca com perfeição o equinócio de inverno e de verão, mais um dos mistérios da Ilha de Páscoa.

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