Ilha de Marajó, um passeio diferente
Na praia, de frente para a água, é difícil acreditar que, apesar das ondas e da areia, você está diante de um rio e a outra margem fica a quilômetros dali. Em Marajó, maior ilha fluviomarítima do mundo, cabe uma Bélgica. São 50 mil km2 e 15 municípios. Hoje, apenas uma parte dela, ao leste, está aberta ao turista e tem fácil acesso (entenda-se com pacotes de agências e traslados diários). Basicamente, a visita envolve as cidades de Soure e Salvaterra.
A partida é da capital Belém, na maior parte das vezes numa barca que leva quase três horas no trajeto de 80 km. No desembarque, dá para sentir que se está numa faceta do Brasil ainda pouco explorada. Cada passageiro, morador ou visitante, toma seu rumo, desviando dos vendedores de cupuaçu e de bolo de macacheira (mandioca ou aipim).
Quem chega nessa época, com sol a pino e tempo úmido e abafado, escuta: É que estamos no nosso inverno. Eles, na verdade, se referem à estação das chuvas, de janeiro a junho, responsável pelos campos alagados que, com os búfalos e as aves guarás, formam o mais famoso cartão-postal da ilha.
A maioria dos turistas, porém, não costuma ficar lá mais de três dias. Tempo de explorar, além de praias, um pouco das fazendas de búfalos, dos mangues e da dança do carimbó, uma amostra do folclore e da história. Misto de lendas indígenas com crenças africanas.
Foi numa fazenda encravada em Marajó que os participantes do programa No Limite 3, cujas gravações se encerraram em novembro do ano passado, caíram para brincar de sobrevivência na selva. Eles não sabiam, porém, que ali pertinho estava a sede da São Gerônimo. Pelo menos é o que garante o proprietário, seu Raimundo Brito. Um lugar, aliás, com todo conforto.
O programa terminou há meses e os protagonistas nunca mais voltaram para lá. Mas o cotidiano daquele trecho não é mais o mesmo. O local onde ocorriam as disputas acabou atraindo a curiosidade dos turistas, que agora vão até lá só para conhecer e até imitar os participantes em algumas provas.
Como o cenário ficou todo lá, do jeitinho como os participantes o deixaram, aquele lugar virou uma espécie de parque temático natural labirinto, vale dos exilados, arco-e-flecha, cabo de guerra e o portal. Eles ficam entusiasmados e não páram de fazer perguntas, conta Brito.
Com isso, o proprietário da São Gerônimo animou-se e começou a construir uma pousada lá dentro, que, segundo ele, estará pronta até o fim de abril. O preço das diárias, porém, ainda não foi definido. Para chegar à fazenda, basta pedir, em Soure, um táxi (ou mototáxi como é bastante comum por lá). Fica a cerca de seis quilômetros dali. Além da praia, há duas trilhas e passeio de barco para os visitantes. Dependendo do programa, inclui almoço caseiro.
Ali perto, vale a pena conhecer também a Praia Barra Velha, de água doce. O acesso é por uma trilha de cinco minutos passando no meio de troncos finos e retorcidos do mangue. Dona Shirley, que atende na barraquinha da areia, puxa conversa com todos e seu assunto predileto é lembrar dos dias em que o pessoal da produção do programa mudava a rotina do lugar. Vinham todo dia tomar uma cervejinha na hora do pôr-do-sol, conta.





