Palma de Maiorca - Menos ''baladeira'' do que a vizinha Ibiza, a ilha de Maiorca é ideal para turistas mais interessados em desfrutar do paraíso visual Mediterrâneo. E que visual! A temporada de verão começa na Páscoa e, graças ao turismo do golfe, estende-se até outubro.
Palma, a capital da ilha, tem muita história para contar: monumentos, igrejas, museus, a água incrivelmente límpida do Mar Mediterrâneo, parques e áreas verdes, bares e restaurantes charmosos em que os espanhóis ''praticam'' suas refeições fartas e demoradas, em estado de plena felicidade.
São receitas de convivência à moda de Maiorca. No ano passado, a cidade de Palma recebeu uma homenagem bem apropriada do artista plástico Lorenzo Quinn, filho do ator Anthony Quinn: a escultura Encuentros, um enorme globo com uma mão em seu interior, que pode ser visto ao ar livre, perto do passeio marítimo e da Praça do Baluarte de San Pedro.
Caminhando pelo centro, é repousante admirar a harmonia entre o lago artificial Parque del Mar e o movimentado passeio marítimo. Por perto, a solidez das muralhas que cercam o palácio que serve de residência oficial nas visitas do rei da Espanha. Mais adiante, está a imponente catedral da cidade, construída no século 13, durante o reinado de James I, o Conquistador, cujo altar foi redecorado por Gaudí.
Outro charme de Palma é a Avenida Jaime III, com comércio elegante e calçadas largas, com arcos e pilares ao longo de toda a extensão.
A vista do porto de Palma é deslumbrante, incluindo a riqueza de centenas de iates luxuosos ancorados por ali. É possível aproveitar dessa visão idílica do alto da sacada do restaurante Bahia Mediterrâneo (Paseo Marítimo, 33), onde se come filé mignon grelhado (o solomillo) e paella de mariscos. No próprio porto, a dica é ocupar uma das mesas ao ar livre de outro restaurante bem cotado em Palma, o Flanigan. Ali, servem-se petiscos refinadíssimos, como os croquetes de presunto, ou refeições mais substanciosas, como a paella ou o solomillo.
Também não se pode passar por Palma e não experimentar as típicas ensaimadas (roscas doces confeitadas, feitas de massa leve). Elas são vendidas em caixas de papelão e os espanhóis em trânsito por Palma não se acanham em levar dentro do avião várias dessas caixas, empilhadas e amarradas. É uma sensação maiorquina. No balcão da confeitaria Horno Santo Cristo (Calle Pelaires, 2), elas são disputadas.
Mas Maiorca, que começou a ser habitada entre 3.000 e 4.000 a.C. e hoje é uma bem-ocupada ilha com mais de 700 mil habitantes, tem muito a mais a oferecer do que apenas a desfrutável Palma. É obrigatório fazer um tour, sempre sem a menor pressa, em direção ao norte da ilha, passando pelas cidades de Deià, Sóller, Valldemossa e Pollença (nessa ordem, em direção ao extremo norte). Em uma tarde é possível ver tudo. Mas o ideal é se deleitar durante um dia inteiro, quem sabe dois, com todas aquelas vistas do Mar Mediterrâneo desfilando, cinematográficas, diante dos olhos, no agradável trajeto. Inesquecível.
Para chegar a Sóller, toma-se um trenzinho panorâmico em Palma. Leva-se meia hora até Sóller, mas, quase chegando à cidadezinha, há uma parada para fotos no Mirador des Pujol d'En Banya, de onde se avista o povoado encravado nas montanhas. Já em Sóller, passe um tempo admirando o porto natural, também repleto de iates milionários.
Volte um pouco do sul para o norte, de carro, e em dez minutos se encontra Deià. O que se vê do alto de seu mirante é outro mergulho panorâmico no que há de mais sublime na natureza da ilha. A cidadezinha é um sonho de cenário perdido entre montanhas: todas as pequenas construções são feitas de pedra. É proibido construir ali de outra forma.
Sempre na costa oeste da ilha, partindo de Deià na direção sul, chega-se, em 15 minutos, de carro, a Valldemossa, distante 15 quilômetros de Palma. O poderoso ator e empresário de cinema Michael Douglas é quase o dono da cidade. Descobriu os encantos paradisíacos daquele pedaço de Mediterrâneo e virou padrinho da cidade, realizando benfeitorias e adquirindo lotes. Bem ao estilo do turismo americano, ele instalou no agradável centro de Valldemossa um tipo de parque temático histórico, chamado de Costa Nord (Av. Palma, 6), que conta os segredos de Maiorca por meio de um filme em terceira dimensão, entre outras atrações.
Não perca também a Real Cartuja de Valldemossa, um mosteiro histórico de 1399, onde morou Chopin e onde ele compôs seus prelúdios, durante a temporada de três meses em que viveu em Maiorca, para se curar de tuberculose. Partituras originais do compositor, bem como o piano que usou na cidade, estão em exposição. Para completar o deleite de conhecer Valldemossa, faça uma reserva no restaurante Vistamar (Estrada de Valdemossa a Andratx, km 2,5) e escolha uma das mesas do quintal, aproveitando a sombra dos pinheiros europeus.
Pollença é outro reduto encantador de paz e sossego. A praça da cidade, na frente da catedral, é apaixonante e também muito bem servida de mesas ao ar livre. É frequentada por muitos pintores paisagistas. ''Sou aposentada e passo semanas aqui pintando meus quadros sem pressa e com muita inspiração'', conta a inglesa Olwen Tarrant.
Ali perto, a Escadaria do Calvário é passagem obrigatória para fotos. Além disso, em Pollença, o modesto comércio fisga pelo charme das lojas pequenas, acolhedoras, repletas de artesanatos e objetos de decoração. Um pouco afastadas desse simpático centrinho de uma quase vila, estão as imperdíveis praias de Molins e San Vicente, com muitas pedras, algas, topless e água transparente. E, ainda melhor do que tudo isso, ir a Pollença vale uma vida inteira se houver tempo para subir no Mirador Es Colomer, com 232 metros de altura, e se entorpecer com a visão arrebatadora daquele trecho do Mar Mediterrâneo. Para nunca mais esquecer.

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