Ilha de Boipeba, onde a natureza é mais do que generosa
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quarta-feira, 23 de outubro de 2002
Lygia Rebello<br> Agência Estado 
Para chegar a esse pedaço do Éden, escondido no sul da Bahia, é preciso cruzar o Inferno e o Purgatório. O primeiro é o rio principal que separa o pitoresco lugar da Ilha de Tinharé, onde fica a agitada Morro de São Paulo. O segundo, um pequeno afluente que os nativos assim chamam de pura brincadeira. Bem-vindo à Ilha de Boipeba, uma tranquila comunidade de pescadores que há pouco mais de dez anos não tinha nem luz elétrica.
Aqui, o tempo não é marcado pelo frenético ''tic-tac'' de relógios. Tudo funciona dependendo da maré e do sol. Carro? Nem pensar. Nem bicicleta vê-se por essas bandas. Para se locomover pelos seus 43 mil hectares é preciso caminhar ou, se conseguir um, andar nos poucos jumentos que passeiam pelas ruas de terra. Nada que seja um grande esforço, pois a paisagem é realmente gratificante.
Na costa, coqueiros emolduram as praias quase desertas, com areia clara e mar de um azul transparente. No interior, sombra fresca nos trechos de Mata Atlântica e entre os manguezais. Nas vilas de pescadores, casas com as portas e janelas abertas. Sinta-se à vontade.
Se puxar prosa com os nativos, prepare-se para entrar num mundo cheio de histórias curiosas, contadas por pessoas simples que se conhecem apenas pelos apelidos ou primeiro nome. Dizem até que há aqueles que conseguem reconhecer seus colegas pelas pegadas deixadas na areia.
Nem pense em pisar nessa ilha baiana se estiver à procura de agito e multidão. Depois das 21h30 já estão todos em suas casas. Apenas alguns turistas perambulam pelas praias sob a luz da lua. A lei aqui é relaxar nas redes das simples e charmosas pousadas e apreciar a abundante natureza local, que, aliás, é defendida com unhas e dentes por seus moradores. Ainda bem.
A viagem foi oferecida pela FreeWay Adventures.


