Ela converteu o apelido Ilha da Magia, surgido pela crença de antigos moradores em bruxas, numa analogia aos seus encantos naturais. E lhe sobra razão para fazê-lo valer. Guarda 42 praias de belezas singulares e está cercada por ilhotas verdes. E ainda promete um verão para lá de agitado, com azaração, sossego e lazer em suas areias. No verão de Floripa, vai dar praia todo dia.
Houve uma mudança no perfil dos frequentadores de algumas de suas principais praias. Com a chegada massiva de turistas de outros Estados e países, os jovens locais migraram da Joaquina para a Mole, que virou sinônimo de badalação e culto ao corpo. Trata-se de um desfile de beldades e gente alegre, radiante, que ocupa cada pedaço de suas areias fofas.
Flerte é a pedida. Começa ali, como quem não quer nada, uma gracinha daqui, um olhar despretensiosamente direcionado de lá. E vai. As meninas deitadas bronzeiam os corpos. De pé, os rapazes observam o movimento da maré, à espera do momento certo de entrar no mar para pegar onda. Ou não. A verdade é que ali o importante é fixar o alvo para a futura abordagem, inevitável, na balada noturna.
Joaquina Caso você já esteja acompanhado, perto da Praia Mole há um romântico mirante com vista para a Lagoa da Conceição. Há boa infra-estrutura, com banheiros, barzinho, lojas de suvenires e até uma agência de turismo. Dali, avista-se também parte das dunas da clássica Praia da Joaquina.
Talvez seja a faixa de areia que mais venha sofrendo mudanças de perfil. Não só pela ação constante dos ventos, que alteram a posição de suas dunas, mas pela chegada do turismo massivo, lamentado por seus antigos adeptos. ''Sinto falta da velha Joaquina, com o turismo suave, não agressivo'', comenta o advogado consultor Flávio Boabaid, de 43 anos. ''Um dos sintomas mais claros é o estacionamento de ônibus que tem aí.''
Boabaid tem 30 anos de surfe na Joaquina e chegou a organizar circuitos da modalidade. ''Aqui tem as melhores ondas do Brasil'', defende. As mesmas em que Gustavo Kuerten surfa.
Um diferencial da Joaquina é que ali todos os surfistas têm uma mãe. A mesma. Dona Vilma Silva balança na rede, sorvendo uma lata de cerveja. ''Sou a mãe dos surfistas porque sou big legal, big fora de série'', diz ela, na varanda de sua casa, erguida sobre as areias da Joaquina. ''Faz 32 anos que estou aqui.''
Ali, Vilma já recebeu alguns mitos do surfe, como Kelly Slater, os irmãos Teco e Neco Padaratz e outras feras. Ela oferece comida e abrigo, quando é o caso. ''Mas aqui já foi diferente. Hoje, só não deixo a Joaca por causa da galera, que é minha raiz'', diz ela, uma mulher atemporal. ''Não conheço o tempo, quando é sábado ou domingo. Só me interessam o vento e as ondas.''
Longe do agito Quem procura sossego e contato com a natureza tem na praia de Moçambique uma opção de fácil acesso. São 11 quilômetros de faixa de areia contínua, que se une a Barra da Lagoa. No caminho, eucaliptos chamam a atenção. Foram plantados para a fabricação de celulose. Mas estuda-se o replantio da vegetação nativa, já que o local ganhou status de área de preservação. Um lugar para espairecer.
Na rota sul da ilha, aproveite para conhecer a praia de Campeche e sua ilha. Vale a pena também atravessar o caminho arborizado que leva à Lagoa do Peri e visitar Ribeirão da Ilha, para contemplar o legado da colonização açoriana. (F.V.)

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