Ilha baiana tem praias paradisíacas
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quarta-feira, 23 de outubro de 2002
Lygia Rebello<br> Agência Estado 
Viver num lugar como Boipeba não tem preço. Basta passar alguns dias na ilha baiana para perceber por que seus 4 mil habitantes estão sempre sorrindo, mesmo morando em casas simples, sem luxo nenhum. Algumas não têm luz elétrica e são raras as que têm telefone fixo. Nem precisa. O que você menos quer quando decide viajar a um lugar como esse é ter contato com o mundo.
Boipeba esconde 20 quilômetros de praias paradisíacas e semi-desertas, protegidas por barreiras de recifes. A calma que você irá alcançar lá deve ser adquirida antes de chegar até a ilha, pois terá de pegar no mínimo três tipos diferentes de transporte ao longo da viagem.
Há avião, carro, barco e até trator. É isso mesmo, o inusitado meio de transporte que tem um trenzinho acoplado é a pedida para os turistas que não têm pressa em alcançar Boipeba e abrem mão do conforto em troca de poder apreciar a paisagem de perto, tranquilamente, durante o caminho.
Seu primeiro contato lá será inevitavelmente com a Boca da Barra onde ficam cerca de dez quiosques à espera de visitantes. A paisagem que reúne mar calmo, inúmeros coqueiros, o Rio do Inferno e a Praia de Pratigi (na Ilha de Tinharé) impressiona. Mas espere só até ver os outros cenários de Boipeba, mais escondidos e atraentes.
Quer uma dica? Vá direto para a pousada, deixe as malas e troque as roupas de cidade grande por um look mais leve e descontraído. Cara da Bahia. Tire os sapatos e deixe seus pés serem massageados pela areia. Respire fundo o ar puro da região e relaxe. Aí sim, você será um turista digno de andar por ali.
Um tempinho livre, entre uma soneca e outra na rede, é sempre bem-vindo para explorar as outras praias. Aproveite quando a maré está baixa, pois algumas ficam cobertas pelo mar. Observe o ritual dos pescadores ''polvejando'' a metros de distância da costa quando eles catam polvos entre os corais e pedras, que antes estavam embaixo d'água.
A Praia de Tassimirim fica logo depois da Boca da Barra. É preciso percorrer uma pequena trilha para chegar até lá, mas nada muito cansativo. Ela é a maior em extensão, são cerca de três quilômetros. De um lado, coqueirais sem fim. Do outro, mar de tons azul e verde que se intercalam dependendo da profundidade e da presença de corais. Por ali não são vistas pousadas, casas e nem ao menos barraquinhas. Perfeito para quem curte ficar em paz.
Se continuar andando pela ilha, irá se deparar com a discreta Cueira. No meio da pequena praia, sob a sombra de uma amendoeira chapéu-de-sol, fica a barraca de seu Guido que serve lagosta ''aferventada'' (cozida). Um pequeno rio a separa da próxima praia: Moreré. O legal ali, além do visual, são as cabanas que funcionam como restaurantes e, mais adiante, o povoado de mesmo nome.
No vilarejo de pescadores pode-se tomar uma água-de-coco e bater um papo com os moradores que esbanjam calma enquanto arrumam suas redes. ''Pesco oito dias e demoro outros oito arrumando a rede que fura nas pedras e com os siris'', conta Paulo. Por ele, sua família nunca irá se mudar de lá. ''É muito bom você poder falar: 'mulher, prepare o tempero que estou indo pescar o almoço'. Isso não tem preço.''
Quem quiser pode ficar hospedado nas poucas pousadas do lugar ou nas casas dos próprios pescadores que as oferecem para locação na alta temporada. Paulo tem até um terreno que aluga para camping no verão.
A seguinte parada é a Praia de Bainema, a última do circuito a pé para aqueles que não estão a fim de fazer muito esforço, pois para ir até o outro extremo da ilha, a Ponta dos Castelhanos, é preciso andar durante umas quatro horas e só na companhia de guias. Mais confortável ir de barco.
Bainema é bem isolada e lotada de coqueirais. Entretanto, vale ir até essa praia apenas para ver uma bela ''aberração'' da natureza: o coqueiro-gêmeo, ou melhor, um coqueiro que possui duas copas para um mesmo tronco. Algo muito raro de se ver.


