O poeta Sérgio Watanabe estará, hoje, às 14h30, na Biblioteca do Portão (MuMa - Museu Metropolitano de Arte) para um bate-papo sobre haicai, tradicional forma poética trazida do Japão. A entrada é franca e não há necessidade de inscrição antecipada.
A mulher dele, Regina Watanabe, faz uma demonstração de como montar um ikebana - também da tradição milenar japonesa, é uma forma de arranjar flores de uma maneira harmônica inspirada no relacionamento do céu, das montanhas e da terra com as plantas.
O encontro marca a abertura de uma exposição de haicais - poesias compostas por 17 sílabas divididas em três versos de cinco, sete e cinco sílabas respectivamente - traduzidos da língua japonesa para o português e vice-versa por Thereza Rezende. A característica do haicai tradicional japonês é que a escrita é também visual.
Estarão reunidos trabalhos de diversos poetas do Japão, São Paulo e Paraná, entre eles a curitibana Alice Ruiz. Painéis com fotógrafos e paisagens japonesas completam a mostra que permenecerá aberta ao público, na Biblioteca do Portão, até o dia 11 de dezembro.
O imigrante japonês Sérgio Watanabe chegou ao Brasil há mais de 60 anos, ainda criança, trazendo na bagagem sementes de caqui e muitos haicais. ‘‘Sempre transformei em poesia meus sentimentos’’, conta. ‘‘A princípio escrevia tankas (poemas com 31 sílabas) e depois especializei-me em haicais, escritos na língua japonesa e em português.’’
Ele adianta que não há como definir haicai. ‘‘Haicai é argumento e não explicação. Nele, as palavras são condensadas ao máximo, deixando para o leitor a tarefa de descobrir a mensagem poética.’’
O poeta sente muita tristeza ao lembrar que todos os haicais que escreveu na adolescência, cuidadosamente guardados em cadernos, foram destruídos pelos soldados brasileiros, na época da 2ª Guerra Mundial. ‘‘Os soldados vistoriavam as casas dos imigrantes e queimavam tudo o que encontravam escrito em japonês, por julgarem perigosos’’, lembra com melancolia.
Os haicais criados por Watanabe seguem a linha de Bashô, poeta japonês que há 300 anos consagrou este tipo de literatura. ‘‘Nesses haicais, há sempre palavras que lembram uma das quatro estações do ano e devem fazer o leitor sentir o espírito da poesia’’, diz Watanabe.

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