A Semana da Consciência Negra está sendo comemorada com vários eventos em Londrina. Um deles é a ''II Mostra Afro Brasil em Cena'', cuja programação deste fim de semana inclui as apresentações de um espetáculo de dança e de uma montagem cênica no Teatro Zaqueu de Melo.
O programa começa hoje, às 19h30, com a estréia da coreografia ''Imagem'', levada ao palco pelo Grupo Ayô de Dança Contemporânea. O nome do grupo, Ayô, significa alegria em ioruba. O elenco conta com os bailarinos Andrea Garcia, Marcos Nascimento, Tiago de Oliveira e Guilherme da Silva.
A direção é de Marco Antonio Costa e a coreografia de Édio Elias Gonçalves. Em seguida, às 20h30, o palco recebe a peça teatral ''Piyé: o Faraó Negro'', do Grupo Cabula, também com direção e texto de Marco Antonio Costa.
A montagem chega ao público depois de uma temporada de 20 apresentações em escolas públicas da cidade. O espetáculo é ambientado no século IV a.C e conta a história de um rei núbio que se viu obrigado a ir a combate para defender seu império da ameaça de dominação assíria. Após uma longa batalha, ele se torna o senhor das duas terras e faraó do Alto e Baixo Egito.
A Núbia situava-se no território hoje ocupado pelo Sudão, nação fricana que há 46 anos sofre com a guerra civil, que já produziu milhares de mortos e outros milhões de refugiados. A montagem mescla a encenação ao vivo com projeções em video contextualizando os conflitos da região para os dias de hoje.
''Falamos do genocídio das populações não-mulçumanas, protagonizado pelo presidente sudanês Omar Albashir. É bom lembrar que a prática infernal da escravidão está de volta no Sudão onde os negros do sul do país são capturados e vendidos como escravos aos países árabes'', assinala Costa.
De acordo com ele, o mundo da antiguidade não conhecia o racismo. Na época em que Piye realizou sua histórica conquista, o fato de sua pele ser escura era irrelevante. Somente quando as potências coloniais ocuparam a África, no século 19, os estudiosos ocidentais passaram a atribuir importância, de modo pejorativo, à cor dos núbios.
''O que observamos nas pinturas é que a raça negra era predominante no Egito, contrariando o cinema hollywoodiano que retrata os faraós como loiros de olhos azuis'', diz. A exemplo do espetáculo de dança, ''Piyé: o Faraó Negro'' permanece em cartaz amanhã e domingo.

Serviço
- Imagem, com o Grupo Ayô de Dança Contemporânea e Piyé: o Faraó Negro, com o Grupo Cabula
Quando - Hoje, amanhã e domingo, 19h30
Onde - Teatro Zaqueu de Melo, em Londrina
Quanto - R$ 5 (preço único)
Mais informações e ponto de venda - (43) 3329-7603

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