Curitiba - O melhor ano rock no Brasil não poderia terminar de forma mais adequada. O Claro Que É Rock (CQER, para os íntimos), realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro no último final de semana, encerrou a agenda dos grandes festivais com público de 25 mil pessoas na versão paulista e expoentes máximos das mais variadas vertentes roqueiras, com destaque para Iggy And The Stooges e Flaming Lips. A escalação gringa também contou com Good Charlotte, Fantômas, Sonic Youth e Nine Inch Nails.
O festival começou de verdade quando a Nação Zumbi e, na sequência o Fantômas, entraram em cena. A banda de Mike Patton, ex-vocalista do Faith No More, assombrou com suas composições malucas, cheias de batidas cadenciadas e ritmos que variam da ópera, ao death metal e punk rock. O duelo entre o maestro Patton, com seus sintetizadores, e o bateirista Terry Bozzio (em substituição ao membro original, Dave Lombardo, do Slayer), com seus três bumbos e diversos pratos, foram um show à parte.
O Flaming Lips garantiu o show com maior apelo visual. Logo de cara, o vocalista Wayne Coyne, acompanhado de um time de bichos de pelúcia, requisitou uma ''mentirinha'' ao público: todos deveriam dizer mais tarde que Coyne chegou do espaço em uma bolha e foi gentilmente recebido pela multidão. E, de certa forma, isso aconteceu. Ele ''flutuou'' sobre a galera e, na sequência, emendou hits, que, compreensivelmente, não eram assim tão conhecidos por aqui. Explica-se: o sensacional ''Yoshimi Battles the Pink Robots'', de 2002, é o primeiro álbum de uma já extensa discografia a ser lançado no Brasil, há pouco mais de uma semana. Covers de Queen (Bohemian Rhapsody) e Black Sabbath (War Pigs), também foram momentos marcantes da banda de Oklahoma.
Incendiário é o mínimo que se pode dizer da vinda de Iggy Pop e de remanescentes do Stooges, banda precursora do punk rock, ao Brasil. Mesmo após oito horas de shows, o público dedicou todas suas energias para o veterano do rock, que pulou, contorceu-se, recebeu fãs no palco (para o desespero dos seguranças), mostrou a bunda e falou muito palavrão. Melhor, além de tudo isso, destilou clássicos como ''I Wanna Be Your Dog'', ''No Fun'', ''Funhouse'', ''1969'', entre outras. Memorável.
Diferente de sua primeira vez no Brasil e do que muitos poderiam imaginar, o Sonic Youth entrou no palco disposto a ''viajar'' nas composições de seu último álbum, ''Sonic Nurse'', lançado no ano passado. A ''atmosfera noise'', característica da banda, tomou conta do festival e o momento de êxtase ficou por conta de ''Drunken Butterfly'' e ''Teenage Riot'', mais antigas e festejadas pelos fãs.
Ao Nine Inch Nails ficou a tarefa de encerrar a maratona com suas músicas de clima gótico-industrial. O destaque ficou para ''Hurt'', composição do vocalista Trent Reznor que ficou mais conhecida na voz do ''Homem de Preto'', falecido Johnny Cash.
- O jornalista viajou a convite da organização do festival.

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