Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Em frente à favela do Parolim, em Curitiba, ergue-se um asilo – Associação Vila Esperança – que atende a 78 idosos. Sem contar com subvenção oficial ou de entidades religiosas, opera entre o limite e o vermelho. Buscando uma alternativa para levantar novos recursos, além daqueles vindos da própria comunidade, os voluntários que trabalham para a instituição gravaram um CD. As músicas, os intérpretes, arranjos e acompanhamento trazem a participação desse pessoal.
Foram prensados mil exemplares, com o apoio da Tecnomedia Produções. Essa mesma empresa produziu um vídeo institucional no ano passado, mostrando o trabalho da AVE, e conseguiu exibi-lo em circuito fechado no supermercado Extra, localizado nesse bairro. Deu resultado e após essa experiência, era preciso procurar uma nova saída. Foi quando deu-se a idéia do CD ‘‘Entardecer’’.
A sua execução foi rápida, dizem os voluntários. Gastou-se mais tempo nos ensaios do coral formado por nove vozes – duas masculinas e sete femininas. O tecladista Alian Moroz atuou como regente, e trabalhou com os colegas até conseguir o nível exigido para entrarem em estúdio. Em um único dia gravaram ‘‘Entardecer’’.
O lote de mil unidades foi entregue no dia 27 de dezembro. Estão sendo vendidos ao preço de R$ 15,00 diretamente na própria entidade, à Rua Assis Figueiredo, 648, em Curitiba, fones (041) 333-6112 e 332-8154.
As letras das canções refletem a situação dos idosos residentes na instituição, falam de liberdade e esperança, e tem ainda uma homenagem a Bianca Ferreira, menina de dez anos de idade, vítima de paralisia cerebral, que se tornou a mascote da instituição. Sua avó é uma das voluntárias da AVE.
De acordo com o empresário Cecil Marques os gastos mensais com a casa estão na casa dos R$ 9 mil e a arrecadação gira em torno de R$ 6 mil. Com a venda do disco será possível levantar recursos para atender outras áreas também prioritárias da casa. ‘‘Precisamos suprir determinadas necessidades para dar melhor atendimento aos velhinhos’’.
Para Vilma Beninca, uma das voluntárias que integra o núcleo mais atuante da associação, estar no CD é uma das formas encontradas para apoiar a casa. ‘‘A gente não quer ser artista. Na música falamos do trabalho que fazemos aqui dentro. É a nossa mensagem’’. Há também o gosto da troca com a comunidade: ‘‘Tínhamos que fazer alguma coisa diferente. Só pedir, sem apresentar nada em troca, não adianta.’’

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