Vilões capazes de amar e fazer bem ao próximo e mocinhos dignos das piores atitudes. Valores invertidos e de caráter mais realista tomam conta da teledramaturgia brasileira. "A dualidade dos antagonistas tirou até os mocinhos da zona de conforto do maniqueísmo", acredita Thelma Guedes, uma das responsáveis pelo texto de "Joia Rara".
Na próxima novela das seis, o mocinho Franz, de Bruno Gagliasso, vai ter suas porções de maldades e fraquezas. Algo que lembra a postura de Nina, a "justiceira" de "Avenida Brasil", interpretada por Débora Falabella. Ou, indo mais a fundo, a destemida Márcia, de Malu Mader, em "O Dono do Mundo", de 1991. Na trama, a mocinha virginal é seduzida pelo inescrupuloso Felipe Barreto, de Antonio Fagundes. E depois de descobrir as armações do vilão, parte em busca de vingança. "Acho que a Márcia seria melhor compreendida hoje em dia", analisa o autor Gilberto Braga.
Em "Sangue Bom", atual novela das sete, a "it girl" de atitudes pouco ortodoxas Amora, de Sophie Charlotte, foi colocando suas vilanias para fora aos olhos do público. No entanto, a intérprete ainda acredita que sua personagem não seja uma vilã, mas sim, um reflexo de suas experiências. "O grande problema da Amora é que ela não consegue olhar para o outro. Na teledramaturgia, normalmente, essa é uma das características dos vilões. Mas não é maldade, é mais defesa", ressalta. (G.B.)

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