Identidade cultural em debate
Ranulfo Pedreiro
De Londrina
O escritor Domingos Pellegrini, o músico Brás da Viola e o professor Ricardo Costa de Oliveira falam hoje sobre temas ligados à cultura popular em seminário da III Londrina Mostra Folclore
As atividades da III Londrina Mostra Folclore, promovida pela Secretaria de Cultura de Londrina, continuam hoje com o seminário Identidade Cultural e Cultura Popular, ministrado pelo escritor Domingos Pellegrini, pelo professor Ricardo Costa de Oliveira, da UFPR, e pelo músico Brás da Viola. O evento foi dividido em palestras individuais e será realizado a partir das 14 horas na Associação Brasil Soka Gakkai Internacional.
A palestra do jornalista e escritor Domingos Pellegrini aborda o trabalho de nomes que marcaram a história de Londrina, como George Craig Smith, Osvald Nixdorf, Willie Davids, Dr. Mário Dias, Celso Garcia Cid e Antonio Fernandes Sobrinho, entre outros.
O contexto abrange a chegada dos primeiros pioneiros da Companhia de Terras, fato que completará 70 anos no dia 21, marcando a abertura da clareira e surgimento das primeiras construções. Desde então a história de Londrina conta com documentação fotográfica.
Algumas dessas fotos históricas serão utilizadas por Pellegrini para ilustrar a palestra e exemplificar as peculiaridades da história de uma cidade nova e planejada. Pelas fotos, o palestrante convida o público a entrar no tema, contextualizando o período.
A palestra também vai contar com elementos cênicos, como objetos representativos da época da colonização. Entre comentários, fatos, informações, casos e anedotas, Domingos Pellegrini vai exibir também alguns curtos filmes de vídeo.
O assunto se estende até a formação do solo da região, e inclui dados climáticos - como a geada de 1955 - geo-econômicos e culturais. Em seguida, o escritor fará uma Oficina de Lembranças, convidando os londrinenses presentes a rememorar importantes iniciativas que colaboraram com o desenvolvimento da cidade a partir de 1955.
Já o compositor e instrumentista Brás da Viola vai enfocar um período fértil que abrange as transformações ocorridas entre os violeiros e a forma de tocar viola a partir da época do rádio até a atualidade. O instrumento chegou ao rádio com o formato das duplas caipiras, resultado de uma redução de grupos folclóricos ocorrida em função do pouco espaço dos estúdios.
Vou abordar como nasceram as duplas caipiras e falar da escola da viola no Brasil e como isso está sendo sistematizado, explica Brás da Viola, ressaltando que vai comentar também alguns aspectos de São Gonçalo Beira Rio, localidade próxima a Cuiabá, onde os festejos populares são comandados por violas de cocho.
Após o auge da presença da viola no rádio, houve um retraimento. Ela sumiu da mídia, mas, sem ninguém saber, o pessoal estava se mexendo. Com a falta de informação e de material didático, o violeiro ficou meio solitário e muita gente desenvolveu um estilo próprio, revela o músico. A falta de referência fez com que os violeiros descobrissem sozinhos seus próprios rumos sobre o instrumento, apesar da influência de nomes como Tião Carreiro e Renato Andrade.
O tema envolve também a quebra da mitificação do violeiro. A viola é mais fácil de tocar que o violão, a não ser que você entre numa área mais erudita. Mas para tocar como viola mesmo, o aprendizado é muito fácil, e o pessoal faz muito mistério disso, argumenta Brás. O instrumentista defende uma atualização da imagem da viola, divulgando sua utilização em qualquer tipo de grupo musical.
A terceira palestra está a cargo do professor Ricardo Costa de Oliveira, da Universidade Federal do Paraná. Ele atua na área de política paranaense e história da política brasileira do período entre 1822 e 1889, e possui vários artigos publicados na Revista de Sociologia e Política do Grupo de Estudos e Sociedade do Departamento de Ciências Sociais da UFPR.
Seminário Identidade Cultural Paranaense e Cultura Popular - Hoje, a partir das 14 horas, na Associação Brasil Soka Gakkai Internacional (Rua Mato Grosso, 585), com o escritor Domingos Pellegrini, o músico Brás da Viola e o professor Ricardo Costa de Oliveira, da UFPR. O evento reúne professores da rede pública, mas está aberto a todos os interessados. A entrada é franca.





