Lembrança da professorinha, quase todo mundo tem, mas a gente só se dá conta que sente saudade até do uniforme escolar quando o tempo da escola ficou apenas no retrato da turma no álbum de fotografia.
Porém, entre os que ainda vivem a plenitude dos anos dourados, como os estudantes de qualquer outra época, os uniformes escolares nunca serão unanimidade e sempre haverá os que gostam, os que são indiferentes e os que não suportam a idéia de ir para a escola uniformizados.
''Concordo que usar uniforme é bom, mas eu não gosto. Mesmo sabendo que se você sofrer um acidente na rua ficará mais fácil achar a família da gente se estivermos vestidos com a roupa da escola'', afirma, Alexandro Diego França Mattos, 12 anos, aluno da quarta série do ensino fundamental da Escola Municipal Anita Garibaldi, no Jardim Espanha, com o devido uniforme escolar guardado na bolsa.
O garoto explicou que costuma sair de casa uniformizado e, no meio do caminho, troca a roupa.
Provavelmente, Alexandro não sabe que muita coisa mudou nos últimos 50 anos na moda em geral e os uniformes escolares também acompanharam as tendências, com o aparecimento de novas tecnologias em tecidos e mudanças de comportamentos.
Dos tempos das saias plissadas, gravatas obrigatórias e boinas ao das calças de tactel, podemos afirmar que as primeiras opções são do século passado. O livro do jornalista Furio Lonza ''História do Uniforme Escolar no Brasil'', lembra ainda que no País, além dos costumes da sociedade, a moda nas escolas também é influenciada pelo momento político.
Democraticamente e através de plebiscito, os alunos da Anita Garibaldi escolherem o uniforme da escola: calça azul e camiseta cinza. Apesar da escolha através do voto, a diretora da escola, Marli Favoro, fez até campanha para convencer os que não aderiram à moda.
Contra qualquer argumento dos diretores e professores, apenas o regimento interno de cada escola, já que as leis estadual e municipal de Educação não exigem o uso obrigatório do uniforme escolar.
''O uniforme é importante até para a segurança dos próprios alunos. Outro dia por exemplo, um aluno nosso foi atropelado e ficou fácil identificá-lo pelo uniforme'', exemplifica Marli, destacando que a escola não permite que os estudantes façam passeios pedagógicos se não estiverem vestidos com o uniforme.
A escola chega a emprestar a roupa ou orientar os alunos a conseguir o empréstimo com algum coleguinha para evitar que alguém fique de fora dos passaios.
Alguns educadores contrários ao uniforme escolar argumentam que podem causar a perda de referência pessoal. ''Acredito que o uniforme contribui para a socialização dos alunos, não havendo distinção entre os que podem vir bem vestidos e os que não têm condições'', comenta Marli.
O diretor da Escola Estadual Doutor Gabriel Martins, no Jardim Bancários, Ney Nezzadri, é da mesma opinião sobre a necessidade do uso de uniforme escolar.
''O uniforme é uma carteira de identidade do estudante, podendo ser identificado em qualquer lugar. A roupa igual também evita que estranhos entrem na escola sem que sejam notados. Além disso, todos os estudantes passam a ser iguais'', afirma o diretor, lembrando que a escola todos os anos define pela utilização do uniforme em assembléia de pais e professores.

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