IDÉIAS RENOVADAS - Uma Câmara de respeito
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terça-feira, 12 de abril de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Em tempos de Severino Cavalcanti presidente da Câmara dos Deputados que defende como prioridades o aumento do salário dos deputados e da verba parlamentar , é louvável a iniciativa da Câmara de Vereadores de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), que desde 1997 realiza o Projeto Câmara Mirim.
Em sua 8 legislatura, a turma de 20 alunos de 7 e 8 séries de escolas públicas e particulares da cidade estão aprendendo a exercer a cidadania. Semanalmente os alunos se reúnem na Câmara para debaterem os problemas da cidade que podem ser buracos nas ruas, falta de segurança e até a merenda escolar. Acompanhados pelos vereadores que idealizaram o projeto, Lourdes Aparecida da Silva Narcizo e João Toledo Coloniezi, os alunos são orientados a atuar na plenária e também são eles que encaminham para a câmara de ''gente grande'' as propostas dos vereadores-mirins, que já chegaram a virar lei.
Recentemente, o assunto da merenda virou polêmica, já que por uma determinação do Conselho da Merenda Escolar os funcionários e professores das escolas ficaram impedidos de comerem a merenda. A sobra de alimentos, que antes era consumida por eles, deixou se ser aproveitada. Incomodada com essa determinação, a vereadora-mirim Cauane Cristina de Oliveira, do Colégio Estadual do Jardim San Rafael, decidiu arregaçar as mangas e, junto com a sua suplente Bruna Maria Ferreira, realizar uma pesquisa na escola sobre a opinião dos funcionários diante de tal decisão. O resultado da pesquisa poderá integrar projeto que tem como proposta reverter tal determinação.
''Não acho essa determinação justa e tem funcionários que acordam muito cedo e nem tem tempo de tomar o café da manhã. O que eles não podem comer, acaba sendo jogado fora. Não está certo'', disse Cauane. O professor da sua escola, Luiz Ferreira Bonfim, apoiou a iniciativa da aluna e reforçou que não há gastos extras com a merenda consumida por professores e funcionários, conforme documentos de controle da merenda.
Mas muitos outros assuntos compõem o dia-a-dia da jovem câmara. Na abertura da sessão, vale observar que há sempre um rodízio nas funções de presidente, vice-presidente e secretário uma forma lúdica de não criar brechas de ''vícios do poder''. Gradativamente, cada um dos vereadores-mirins vão deixando a inibição de lado e aprendendo a ''pedir a palavra'' e fazer uso dela de forma responsável: com propostas sérias e inteligentes.
Jayne Maria Nogueira, da Escola Estadual Basílio de Lucca, abriu a sessão com um problema de segurança. Contou que pessoas que vendem drogas ficam em frente à sua escola e solicita que a polícia passe mais vezes em frente ao local. O seu colega Wellington Sanches, da Escola Integrada Tia Sônia, questiona se a patrulha escolar não atua no local. Ela é taxativa: ''se passou, não adiantou nada'', garantiu. O debate é aberto e em pouco tempo todos acabam percebendo que esse é um problema que não diz respeito apenas à escola de Jayne. ''Um trabaho de segurança mais amplo precisa ser feito'', definem, enquanto se organizam para escrever o projeto com a proposta.
Uma faixa de pedestre em uma das escolas também é requisitada como uma maneira de diminuir o risco de acidentes. Nathany Ferreira, do Colégio Estadual Unidade Polo, argumenta que é preciso conscientizar os motoristas. Seu colega Wellington, lembra que uma das funcionárias da escola onde estuda comentou das dificuldades de saber o horário dos ônibus. Como sugestão, ele dá a idéia de serem fixados nos pontos de ônibus cartazes com os horários e promete que semana que vem trará o projeto escrito.
Nathany, que joga futebol feminino, sugeriu a maratona cultural como forma de integrar as escolas. ''Acho que a cidade deveria ter mais projetos culturais e a maratona também pode valorizar não só o lado esportivo, mas habilidades, como a matemática'', defendeu.
No final da sessão, a vereadora-mirim Jayne afirmou que está gostando muito da experiência. ''Levamos muito a sério o que fazemos e a população deve se informar cada vez mais sobre política. Nem todos os políticos são corruptos. Cada um de nós tem que fazer a sua parte e, em caso de comprovarmos que um político é corrupto, ele deve ser tirado do cargo'', ressaltou. Wellington, cuja mãe foi prefeita de Jataizinho, também está aprovando o projeto, que pretende levar para a sua cidade natal. ''A minha mãe foi um bom exemplo de político para mim, mas não pretendo seguir essa carreira. Dá muito trabalho e dor de cabeça. Mas espero aproveitar o projeto para colaborar com idéias boas para Jataizinho e Ibiporã'', prometeu.
As sessões da Câmara Mirim acontecem semanalmente, das 17h30 às 18h30, em dias variados. Toda a população é convidada a participar e contribuir na cosntrução de uma cidade melhor. No Brasil, há informações de dez câmeras mirins em atuação. Em Ibiporã, 154 alunos já passaram pelo projeto. Mais informações pelo telefone (43) 258-1456.


