Idéias na cabeça, câmera na mão
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segunda-feira, 27 de outubro de 1997
Telma Elorza Londrina 
Dorico da SilvaAlunos de
1º e 2º graus produzem vídeos educativos: experiência atrás das câmerasJovens de 11 a 18 anos com uma câmera na mão, uma idéia - educativa - na cabeça e liberdade para trabalhar. O resultado desta mistura pode ser conferido no 3ºFestival de Vídeo Educativo que alunos do Colégio Estadual Nossa Senhora de Lourdes do Jardim Brasília, em Londrina, apresentam hoje, às 19 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde.
O festival estará apresentando sete vídeos, com no máximo 15 minutos cada, produzidos por alunos da 5ªsérie do 1ºgrau a 3ªsérie do 2ºgrau, coordenados pelo professor de Educação Física Jorge Cury Madi Neto. Segundo Cury, a mostra pode ser vista por todos os interessados, principalmente professores, pedagogos e orientadores.
Segundo o professor, este é o único festival do gênero que existe no Brasil. Fazer vídeos educativos produzidos pelas crianças é a melhor forma de atingir outras crianças. Elas falam a mesma linguagem. E um dia, acredito, vou fazer um festival nacional deste tipo - adianta.
Vídeos fracos A idéia de trabalhar com vídeos educativos surgiu em 92, quando Cury era orientador de aprendizagem do projeto Um Salto para o Futuro, do MEC, que agora virou TV Escola. O professor recebia imagens de vídeos educativos via satélite e fazia trabalho de reciclagem com professores. Eu achava que os vídeos eram um pouco fracos para o Paraná, mais voltados para o Nordeste. E achei que a gente conseguiria fazer coisa melhor por aqui mesmo - conta.
Com apoio do coordenador de Educação à Distância do Núcleo de Educação de Londrina, Cury fez um curso de produção de vídeo em Curitiba e voltou entusiasmado em aplicar os novos conhecimentos com seus alunos. O problema era onde editar os vídeos. Aí descobri que a Embrapa tinha um estúdio, com ilha de edição, e encaminhei um ofício. A direção da Embrapa me abriu as portas e se prontificou a editar - diz.
Em 94, promoveu o primeiro festival de vídeo, realizado por seus alunos. Segundo ele, isto já foi uma vitória. Comecei a provar que dá para fazer vídeos educativos de boa qualidade a custo zero - diz. Mas, para ele, o melhor é que conseguiu despertar a cidadania e a visão crítica nas crianças. Tirei-as da frente da televisão e as coloquei atrás. Isto as faz entender que nem tudo que aparece na TV é verdade - explica.
Videoteca Além disto, o professor enumera outra vantagem que a câmera nas mãos das crianças traz: elas foram praticamente obrigadas a estudar já que para a elaboração de roteiros tiveram que pesquisar muito. Elas são as responsáveis por todo o trabalho. Cury somente orienta, coordena e acompanha os trabalhos. Elas fazem tudo, roteiro, trilha sonora, gravações. Só dou palpite na hora de gravar - afirma.
No festival deste ano serão apresentados os vídeos Universidade Pra Quê, em que alunos do 2ºcolegial questionam o valor da universidade; Vencendo obstáculos, que a turma do 3ºcolegial mostra as dificuldades dos deficientes nas ruas e locais públicos da cidade; Sexo, da turma do 1ºcolegial, sobre iniciação sexual; Estados Físicos da Água, um vídeo do 2ºcolegial para o público da 1ª a 4ª séries; Pagando Mico, do 1º colegial, sobre as situações vexatórias; Medo, do 3ºcolegial, sobre as diversas formas de medo; e Saudade, produzida por alunos de 5ª e 6ªséries da Escola do Jardim Eldorado, a única equipe de fora do colégio convidada.
O professor vai ceder uma cópia dos vídeos para a videoteca do Núcleo Regional de Ensino, que vai fazer outras cópias e distribuir, inclusive para a TV Escola. Poucos sabem, mas a videoteca do Núcleo é a mais completa do Brasil e alguns pesquisadores franceses, que estiveram aqui, disseram que é a mais completa do mundo. E está a disposição dos interessados - informa.
3ºFestival de Vídeo Educativo - hoje, às 19 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde, em Londrina. Entrada franca.


