Há algum tempo, estar em um grande centro era condição básica para se manter atualizado com as novas tendências que surgiam, uma vez que as informações não eram distribuídas na velocidade com que são propagadas agora. Com o advento da globalização, tem havido, ao mesmo tempo, uma imposição de uma cultura dominante por um lado e, por outro, culturas regionais passam a criar mecanismos de resistência para continuarem se afirmando. Incorporar a diversidade e tolerar a diferença tornou-se a chave para a sobrevivência cultural.
Hoje, com os recursos tecnológicos e a facilidade de acesso à comunicação, é até possível criar uma produção artística sem estar vivendo em um grande eixo comercial urbano, certo de que a colocação deste material no mercado de arte pode até ser absorvida por outros centros, inclusive sendo valorizado pela sua originalidade, ganhando assim, terreno para circular.
É preciso deixar claro que, tratando-se de produto cultural, o produto artístico não se restringe à obra em si, pois o que está em jogo é muito menos seu preço, vamos dizer, de uso e troca, do que as idéias, pensamentos e valores culturais ali embutidos. No caso da arte produto mais elevado do espírito humano há todo um circuito que é alimentado pela fonte da criação, que vai do trabalho realizado pelo artista, passando pelo setor educativo e pedagógico, produção, difusão, divulgação, etc. Ou seja, não há arte nem produção de conhecimento sem investimentos, sem circulação de informações. É esta, em termos, a diferença entre a venda de uma geladeira e de uma peça de arte. Entre ir ao teatro ou ir ao shopping. Entre vender a madeira ou produzir móveis para venda.
Só que, assim como hoje é possível criar sem estar vinculado a uma fronteira específica, é impossível fugir à contaminação e à influência de outros pólos produtores e consumidores seja de arte ou de outra área qualquer. É necessário saber identificar o que está ocorrendo além de nós mesmos, até para confirmar ou alterar nosso ponto de vista. É preciso pesquisar, estudar, manter-se informado para que nossas idéias e pensamentos resistam ao inevitável choque cultural e confronto das diferenças. Fora isto, é só uma autofagia que vai, aos poucos, entrando no acomodamento, tornando opaca toda a luz potencialmente forte, e que acaba se estagnando frente à falta de circulação das informações de qualidade. Fazendo com que todo o discurso pela diferença torne-se palavras vãs frente ao que há de mais nefasto na atual fase de globalização e imperialismo cultural a que estamos submetidos.

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