Luis Fernando Veríssimo é apontado como o suposto autor de muito texto apócrifo que circula pela internet, a maior parte dotada de um tom de verdade sobre a vida. São redações eloquentes sobre a melhor maneira de enfrentar a dor de viver ou outro desafio humano semelhante, cuja leitura deveria estimular você a ser uma pessoa melhor.
Em ''O Mundo é Bárbaro'', Veríssimo - o verdadeiro - apresenta o mundo em 500 crônicas ácidas e irônicas. Não há grandes lições para a vida, mas é bem provável que algum texto faça o leitor refletir sobre a vida, o universo e tudo mais.
Ser cronista significa ser um observador cuidadoso da realidade, capaz de destacar dela um ângulo ignorado pelos demais. No livro, o autor desnuda questões espinhosas como o racismo e a diferença entre as classes sociais no Brasil com críticas bem-humoradas à elite do país e ao povo. Ninguém está imune.
Para Veríssimo, se o mundo acabar, que se salvem os bonitos, os ricos, os bem de vida. Mas que também guarde-se lugar na espaçonave para cronistas de meia-idade (ou dois terços de idade, como ele mesmo diz), porque haverá sempre espaço na próxima civilização para quem sabe fazer do mundo uma leitura precisa, mas sem compromisso.
''O Mundo é Bárbaro'' é para ficar na cabeceira. Para ler aos poucos num sábado chuvoso ou, quem sabe, na fila do banco ou de alguma repartição pública. Só não espere que o livro faça você uma pessoa melhor. É bem mais provável que ao fim da leitura sua visão de mundo se torne apenas mais irônica.

SERVIÇO
- O Mundo é Bárbaro
Autor - Luis Fernando Veríssimo
Editora - Objetiva
Páginas - 160 páginas
Onde - Livrarias Curitiba
Quanto - R$ 32,90

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