IDEIA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de fevereiro de 2009
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Décimo terceiro filho de Flo, uma rata alcóolatra, Firmin acabou afastando-se da família por sentir-se diferente dos irmãos. Não compartilhava com eles o prazer de revirar os depósitos de lixo espalhados pela cidade. Nascido entre os livros da ''Pembroke Books'', livraria de um bairro decadente de Boston, o ratinho desenvolveu um estranho gosto pelas páginas impressas, que a princípio envolvia o paladar (gostava de mastigá-las) e com o tempo alcançou o prazer de decifrar palavra a palavra até chegar a obras inteiras.
Apaixonado pelo universo dos humanos, adorava ler o jornal ''Globe'', por cima dos ombros de Norman, o dono da livraria. Mas foi com o escritor Jerry Magoon, que conseguiu estabelecer um vínculo próximo ao de uma amizade. Com essa história de um rato apaixonado pelas letras e pelos homens, o primeiro romance do autor Sam Savage presta uma homenagem à extinta livraria Brattle Book Shop, que funcionou na praça Scollay, em Boston, e a seu proprietário George Gloss.
Publicado fora dos grandes circuitos editoriais, ''Firmin'' tem aparecido nas estantes das livrarias com destaque à espera de um leitor, que como seu personagem principal, não hesite em se aventurar pelos caminhos da literatura. Narrado em primeira pessoa pelo rato que dá título à obra, ''Firmin'' é o retrato de alguém que, embora solitário e impedido de comunicar-se com o mundo como gostaria, constrói a partir de sua relação com os livros um universo no qual não existem limites.
Serviço
- Firmin, de Sam Savage, tradução de Bernardo Ajzenberg. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2008. Com 244 páginas. Nas Livrarias Curitiba custa R$ 37,50


