''A Arte de Correr na Chuva'', de Garth Stein, deve ser o primeiro livro do mundo, não-infantil, narrado em primeira pessoa por um cachorro. Ao contrário do alucinado, e muito mais popular, labrador Marley, o misturado Enzo é racional ao extremo e afirma constantemente desejar ser humano.
O livro, até no título, traz referências frequentes ao mundo do automobilismo. Enzo, como seu dono, é um apaixonado por corridas e usa conceitos das pistas para contar a história de sua família. Ele relembra episódios históricos do esporte, como a morte do brasileiro Ayrton Senna, em 1994, seu grande ídolo.
Também na linha inversa do best-seller já transformado em filme, ''Marley e Eu'', o cachorro é apenas um elemento narrativo utilizado pelo autor para expor o drama que transforma a vida de um pacato casal e sua filha quando uma doença se abate sobre um deles. Enzo sabe e acompanha tudo e, o que ele não sabe, inventa com base nos filmes e programas de televisão que assiste. Ele explica quando isso acontece, mas ainda assim é difícil absorver essas passagens.
Em muitos momentos, o texto é truncado e forçado. É preciso mente aberta para ''engolir'' a intenção do autor, já que o livro, claramente, não segue a lógica das fábulas infantis em que animais são liberados para pensar e até falar. O escritor se leva a sério. Às vezes até demais.
Mas, ao final das 302 páginas da história, fica uma lembrança doce das passagens de Enzo com a família Swift. O capítulo triste de ''A Arte de Correr na Chuva'' é o primeiro, não o último. É um livro para todas as idades e ao mesmo tempo, porém, não é para nenhuma específica. É uma leitura leve, de fim de semana ou ideal para uma viagem.

SERVIÇO
- A Arte de Correr na Chuva
Autor - Garth Stein
Tradução - Elvira Serapicos
Editora - Ediouro
Páginas - 302
Quanto - R$ 34,90

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