IDÉIA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de novembro de 2008
André Amorim<br> Equipe da Folha 
Podem-se notar duas qualidades principais no livro ''O Totem do Lobo'', do chinês Jiang Rong. A primeira é o fato de ser uma crítica ao projeto de estado maíosta que conseguiu alçar grande popularidade em um país conhecido pela censura. Vendeu mais de 1 milhão de exemplares dentro do território chinês apenas no ano do seu lançamento, 2004 (estima-se 4,2 milhões contando as cópias piratas). Outro atributo é a possibilidade de conhecer mais sobre uma realidade que já não existe mais, embora não esteja muito distante na história, a cultura dos povos nômades da Mongólia Interior, que ao contrário da imensa maioria dos chineses han (agricultores), são dedicados à criação de animais e à caça.
Com esses últimos caçadores, em especial com o velho Bilgee, o protagonista Chen Zehn, alter-ego de Jiang no romance, aprende a venerar e a temer o totem do lobo, animal que teria ensinado o próprio Gengis Kahn as artes da guerra através da observação dos movimentos das alcatéias para cercar suas presas. Se por um lado os lobos são implacáveis com as ''pequenas vidas'' das estepes, por outro sua presença ajuda a preservar o frágil equilíbrio da ''grande vida'', que é o ecossistema.
Esse equilíbrio é quebrado pela chegada dos agentes do governo chinês que introduzem a cultura agrícola na região e promovem o extermínio dos lobos. Mais do que transformar o ambiente físico, essa invasão significa o fim da cultura dos povos nômades frente os novos preceitos do governo chinês, que pregava o fim das quatro velharias: velhas idéias, culturas, costumes e hábitos.
SERVIÇO
- O Totem do Lobo
Autor - Jiang Rong
Editora - Sextante
Páginas - 512
Onde - Na Livrarias Curitiba e Porto
Quanto - R$ 39,90


