IDÉIA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Do alto de seus vinte e poucos anos, Alice está entediada. Aguarda a chegada do dia em que conhecerá alguém para amar e que será capaz de retribuir todo o seu amor. Alguns candidatos surgem, o sentimento da paixão toma conta e relacionamentos vão se sucedendo.
A partir da busca de Alice pelo parceiro ideal, o escritor Alain de Botton oferece ao leitor em ''O Movimento Romântico: Sexo, Consumo e o Romance'', uma análise sarcástica a respeito da forma como as relações amorosas são idealizadas e vividas atualmente. Para isso, o autor recorre a argumentos filosóficos, personagens literários e esquemas ilustrados na tentativa de desconstruir as fantasias criadas nas representações românticas em todos os tempos.
Na obra de Botton, o que se chama ''amor'' é uma mistura de conceitos e expectativas baseadas em idéias, muitas de validade duvidosa, às quais nos entregamos, na maioria das vezes, sem nos darmos conta. Embora cético, o livro não é um tratado contra a idéia de felicidade a dois. Ao contrário, a obra permite ao leitor interpretá-la até como um manifesto a favor do encontro casual entre pessoas que se completam mesmo sem entender bem qual o motivo da atração.
Mas ainda que as relações românticas não possam ser justificadas objetivamente, um olhar crítico a respeito dos paradigmas criados para o amor ao longo da história nos fornecem ferramentas ao menos curiosas para o entendimento a respeito de nossa própria vivência afetiva.
SERVIÇO
- O Movimento Romântico: Sexo, Consumo e o Romance
Autor - Alain de Botton
Tradução - Eneida Santos
Editora - Rocco
Páginas - 320


