O Caçador de Pipas, cuja adaptação para o cinema está em cartaz em Londrina, Maringá e Curitiba, vai além de uma história que rende um bom roteiro para a tela grande. A obra que fez sucesso no mundo todo ao contar o drama de um menino afegão disposto a tudo para conquistar o amor do pai, e que por conta disso carregaria o peso da culpa por ter maltratado e deixado maltratar o melhor amigo, merece ser lida.
O romance do também afegão Khaled Hosseini, nascido em Cabul, a mesma cidade natal de seu protagonista, abre ao leitor ocidental uma janelinha para o que foi o país que seria devastado pelo regime Talibã e pela guerra contra o terrorismo do governo Bush pós 11 de setembro. E não é só. O Caçador de Pipas mostra, como comenta um de seus personagens, o quanto uma decisão tomada num instante pode determinar o resto da vida de alguém.
A história que começa nos anos 70 chega até os anos 2000, passando pelos disputados campeonatos de pipa da infância de Amir e Hassan, a traição covarde, a sacrificada fuga de Amir e seu pai da invasão russa no início da década de 80, o exílio nos Estados Unidos, até chegar o momento da volta de Amir à terra natal para o reencontro com o passado. Reencontro esse que traz consigo a necessidade de intervir no presente e reprojetar o futuro.
Em uma narrativa envolvente, os personagens vão se mostrando cativantes, cada um com seus defeitos, acertos, erros e dúvidas. Quem apenas assistir ao filme sem ler a obra perderá a real dimensão dessa história sobre a culpa em que o limite entre fazer o bem ou o mal pode ser tão tênue e traiçoeiro quanto o fio de uma pipa com cerol.

SERVIÇO
- O Caçador de Pipas
Autor - Khaled Hosseini, tradução de Maria Helena Rouanet
Editora - Nova Fronteira
Páginas - 365
Quanto - R$ 39,90

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