No final da década de 70, a Líbia passa por uma das fases mais negras do regime ditatorial de Muhamar Kadhafi. Pessoas são levadas por membros do comitê revolucionário para prestar esclarecimentos e não retornam mais. A televisão exibe enforcamentos ao vivo de supostos traidores. Universitários são impedidos de ler determinadas obras tidas como ''impróprias'' pelo regime.
É neste cenário cruel que o jovem Suleiman, de apenas 9 anos, terá que tomar as decisões que definirão sua vida e de sua família. Os dilemas de infância se fundem com questões mais complexas e introduzem o menino no mundo implacável dos homens.
No País dos Homens, livro de estréia de Hisham Matar, foi bem recebido pela crítica e indicado a vários prêmios literários. Com raízes autobiográficas, ele trata do sentimento de um menino ao tentar ajudar seus pais a enfrentar um mundo que ainda não conhece.
Quando o pai sai em suas viagens de negócios, Suleiman passa a ser o homem da casa e tem de cuidar da mãe, que adoece nestes momentos consumindo doses cada vez maiores de um ''remédio'', vendido clandestinamente em uma garrafa negra.
Seu mundo começa a desmanchar-se numa tarde ensolarada, quando ele avista o pai - que deveria estar no exterior em uma viagem de negócios - caminhando por uma praça de Trípoli. Na volta, o carro onde está é perseguido por um jipe do comitê revolucionário, tão perto que o menino poderia tocar sem esforço o rosto marcado do soldado.
Inocência e atrocidade é neste contraste que se edifica a história do livro. A traição, sempre acompanhada pela culpa, é outro alicerce da ação dramática, que alterna a vivência de criança, com a realidade bárbara da ditadura líbia.

SERVIÇO:
- Livro ''No País dos Homens'', de Hisham Matar. Companhia das Letras(2007); 264 páginas. Preço médio: R$ 36,00.

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