Ícone charmoso da liberação
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de outubro de 2005
Agência Estado 
Guido Crepax (1933-2003) inspirou-se em duas pessoas reais para criar sua Valentina: a própria mulher, Luisa, e a atriz americana Louise Brooks. ''Me inspirei na minha mulher há 30 anos'', disse, em maio de 1995, falando à Agência Estado por telefone, de Milão - conversa que é citada na bibliografia do livro de Luchetti.
''Inventei um nome para ela, que era uma mulher diferente daquelas que conhecíamos na Europa daquela época. Era uma ''donna emancipata'' (uma mulher liberada). O endereço, tanto da personagem quanto de sua inspiradora, era o mesmo nos álbuns: número 45 da Via de Amicis, em Milão (o próprio endereço do autor).
Ele criou, ou recriou, diversas personagens femininas, como ''O'' (quadrinização do clássico erótico francês ''Histoire d'O'', de Pauline Réage, codinome de Dominique Aury, de 1954); e ''Emanuelle'' (baseado nos livros de Emanuelle Arsan). Também adaptou obras de Masoch, Bram Stocker, Henry James e outros.
Na sua entrevista, ele parecia bastante impactado pelo atentado terrorista em Oklahoma, nos Estados Unidos. ''Realmente, não é alegre esse nosso mundo, nem nunca foi alegre''. E falou sobre a influência de Freud em seus trabalhos. ''Freud é uma influência muito forte, já que minhas histórias se passam sempre na mente dos personagens, não são nunca aventuras. Nisso sou muito diferente de Hugo Pratt. Como ele, sou atraído pelo mistério, mas os mistérios do inconsciente, até porque me movo muito pouco. Quase nunca viajo e tampouco minhas personagens. Mas veja, eu me interesso pela psicanálise como diletante, um observador leigo''. Declarou-se fã de Leonardo da Vinci e Francis Bacon, como desenhistas e pintores, de sua paixão pelo Marquês de Sade, dos quadrinhos de Hugo Pratt, Dino Bataglia, do argentino MuÀoz, de Moebius, Bilal, Tanino e Liberatore.


