Ibope na TV e boa idéia na propaganda
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de junho de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
O mistério dos chupa-cabras, cuja história tomou de assalto o pacato município de Campina Grande do Sul, perdeu espaço na imprensa com a divulgação de um laudo científico assinado por biólogos do Zoológico de Curitiba e do Instituto Ambiental do Paraná. Mas continua na ordem do dia para os ufólogos. Rafael Cury, presidente da Associação Nacional dos Ufólogos do Brasil, é taxativo: Não me contentei com esse laudo. Há uma política de acobertamento.
Algumas medidas tomadas pelas autoridades ajudaram - e muito - a deixar o caso inconclusivo. Uma delas foi derrubar a energia elétrica em Campina Grande do Sul minutos antes de ir ao ar uma reportagem produzida pela rede de televisão CNT.
O chefe de jornalismo da emissora, João Beltrão, achou curioso a imprensa ter sido impedida de continuar suas visitas numa chácara onde houve vários casos de animais feridos e mortos. A população da cidade não acredita em cachorro. Alguns dos animais tinham cortes que não eram de briga, comentou.
Ele não chegou à conclusão alguma sobre o ocorrido. Toma o laudo como um documento sério, mas isso não significa que a história esteja esquecida. A qualquer hora pode voltar à pauta do dia. E com ela os telefonemas dos telespectadores, depoimentos e teses estapafúrdias que lotaram os ramais da TV.
Campanha do agasalhoA possibilidade do episódio envolver seres extraterrestres vindos de algum ponto do universo, como acreditam leigos e ufólogos, choca-se com o ponto de vista daqueles que se dizem céticos. Não acredito em ETs, afirma categórico o publicitário José Oliva, embora ache possível outras formas de vida.
No caso específico de Campina Grande do Sul houve muita forçação de barra, opinou. Mas como andou de boca em boca até poderia render uma campanha publicitária, pegando pelo lado engraçado. Com maior ou menor dose de humor, seria possível trabalhar até em causas nobres como a ecologia ou a campanha do agasalho, relacionando
extraterrestres com a qualidade da lã dos animais.
O artista plástico Carlos Eduardo Zimmermann conta que se visse um desses animais fantásticos na sua frente, iria retratá-los depois nas telas como as pinturas de Francis Bacon. Seria uma coisa dramática, com gestos agressivos. Iria parecer um açougue. Zimmermann faz parte dos que não acreditam, mas sem convicção. É aquela velha história, não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem.


