Ibiza - Alto verão, prazer, culto ao corpo, topless, nudismo, balada, música eletrônica, vida noturna, natureza, mistério, paraíso, diversão. Sol e pôr-do-sol. Tudo isso serve para resumir o estilo de turismo da famosa Ibiza, ou Eivissa (em espanhol), uma das cinco ilhas chamadas de Baleares, na costa centro-leste da Espanha (as outras quatro são Maiorca, Minorca, Formentera e a pequenina Cabrera).
Mas só Ibiza, entre as paradisíacas Baleares, gaba-se de ser tombada pela Unesco como patrimônio da humanidade, desde 4 de dezembro de 1999. Na verdade, quatro atrações de Ibiza ganharam a distinção: a cidade fortificada de Dalt Vila, o cemitério de Es Puig des Molins, o povoado fenício de Sa Caleta e as praderas de posidonias, plantas terrestres que, misteriosamente, começaram a se dar bem nas águas do Mar Mediterrâneo. Hoje, no Parque Natural de Sés Salines, elas são arrecifes naturais e viveiro de moluscos. Já foi comprovado que, em todos os outros lugares do Mediterrâneo, as posidonias levam de 10 a 30 anos para se renovar, enquanto em Ibiza isso se dá anualmente.
É um dos mistérios de Ibiza, considerado um território mágico, um dos pontos de maior concentração de energia do mundo, usado como referência magnética para bússolas e radares. Na pequena localidade de Santa Eulália, a única ponte leva o nome do Diabo e dizem que foi ele próprio, o coisa-ruim, quem a construiu. Mais se conta pela ilha: se há um lugar onde se realizam convenções de bruxas, esse lugar é Ibiza. Ou ainda: não há nem sombra de animais peçonhentos e venenosos em toda a ilha, pois há qualquer coisa na terra que os mata.
Enquanto isso, nesse pequeno grande mundo de 572 quilômetros de extensão, com ou sem veneno, floresce embaixo de sol forte o território do prazer. São 18 quilômetros de praias para todo tipo de frequentador: esportistas, solitários, casais, famílias, nudistas. Em todas elas, sem falsos pudores, as espanholas são as rainhas do topless como na praia de Las Salinas, em que a badalação é grande e os maiôs têm só a peça de baixo. Em Águas Blancas, o nudismo predomina, mas é facultativo. Exercícios de uma liberdade incondicional e banhada pelo Mediterrâneo.
É curioso, também, dar um pulo em Punta Arabi, no nordeste da ilha, e conhecer o Mercadito dos Hippies, que surgiu nos anos 70 como ponto de encontro semanal dos hippies de toda a Europa. Acabou virando a atração turística das quartas-feiras. Uma muvuca. Nos anos 80, apareceu outro desses mercados ao ar livre, em Las Dálias, criado por dissidentes tentando fugir do desvirtuamento que tomou o movimento hippie original. Esse funciona aos sábados e é um pouco mais calmo.
Uma das mais antigas da Europa, a cidade de Ibiza foi fundada em 654 a.C. pelos fenícios, que a transformaram em importante centro comercial. Vale a pena deixar as praias de lado por algumas horas para ir ao forte de Dalt Vila, no centro histórico, que conserva seu traçado original do século 16. Dali, a visão do Porto de Ibiza é magnífica. Também é agradável ver de perto o estilo mediterrâneo das antigas casas rurais, com muros grossos de até 1 metro e poucas janelas, protegidas por troncos de pinheiros. Serviram de inspiração para arquitetos famosos, como Le Corbusier.
Com 100 mil habitantes e recebendo 2 milhões de turistas por ano, Ibiza é bem servida por restaurantes. Instalado numa ampla casa de 280 anos, o Cana Joana (Carretera San José, km 10) figura na lista dos 20 melhores da Espanha. ''Toda manhã, vou ao mercado central, escolho produtos da estação e crio os pratos do dia'', diz Joana Biarnes, de 67 anos, a chef e proprietária, uma ex-fotógrafa que realizou o sonho de comandar um restaurante desde 1985. Ela explica que uma das maravilhas gastronômicas locais é a batata, com 40% a menos de amido e usada até em sobremesas. No Cana Joana, o creme de batatas ibicencas com coulis de salsinha e trufas negras é puro deleite.
Mas o que fez a fama de Ibiza pelo mundo não é nada disso. É o som eletrônico de discotecas, os templos da diversão. Uma das frases que mais se vê nas camisetas diz algo como ''dane-se o bronzeado'' ou ''quem se importa com o sol?''. Ibiza é dos clubbers. O que importa é cair na balada em redutos de altos decibéis e potentes pick-ups, como Pacha, Space, Privilege e Amnésia.
Todos os hotéis têm esquemas de discobus, ônibus para levar e trazer turistas das discotecas a qualquer hora. A Space, por exemplo, abre de dia. Promove after hours. Muitos clubbers da própria ilha preferem dormir só até as 6 horas, quando vão dançar na Space e, de lá, para o trabalho. A Pacha é grandiosa e tem seis pistas de dança, cada uma com um tipo de som. Fez 30 anos. Para curtir uma delas, desembolsa-se algo em torno de 50 euros só pelo ingresso. Lá dentro, uma cerveja vale 10 euros. Balada de alto nível custa caro. Mas nessa festa vale tudo. Até não saber dançar.

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