São Paulo, 03 (AE) - O Parque do Ibirapuera será o endereço do próximo teatro municipal da cidade de São Paulo. O edifício, previsto no plano diretor do projeto original de Oscar Niemeyer, vai ser construído no próximo ano e vai ocupar a área oposta à ponta da marquise do Pavilhão da Bienal. Essa será uma das reformas pelas quais passará o principal parque da cidade no ano 2000, informa o secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Ricardo Ohtake. Até os edifícios assinados por Oscar Niemeyer podem sofrer ajustes e readaptações.
Segundo Paulo Mendes da Rocha, arquiteto responsável pelas reformas dos três pavilhões de Niemeyer, nada será feito que não seja coerente com o planta do autor. "Pelo contrário, os trabalhos deverão aproximar os prédios de sua função primeira idealizada por seu autor, que é abrigar obras de arte", afirma Mendes da Rocha.
Ele se refere principalmente à modernização do aparato técnico dos edifícios já existentes para receber a maior exposição de obras de arte que da história do parque, e da cidade, a Bienal 500 Anos de Artes Visuais, ou Bienal dos 500 Anos - mostra que ocupará todas as áreas expositivas do parque, a partir de abril do ano que vem. Mas os reajustes também prevêem algumas exclusões, como a utilização do espaço sob a marquise, imprópria na avaliação do arquiteto.
Niemeyer acredita que a ocupação dos edifícios inaugurados do 4.º Centenário de São Paulo "é uma esculhambação total". O arquiteto refere-se a algumas mudanças "improvisadas" em relação ao plano original de seu projeto. A mais polêmica delas é a utilização da marquise, que na planta original deveria servir apenas como local de passagem. Hoje, o espaço abriga, entre barraquinhas de cachorro-quente e outras instalações temporárias nos fins de semana, o restaurante e o Museu de Arte Moderna (MAM), que até agora não conseguiu outro espaço para fazer suas atividades.
Mas Niemeyer também afirma que não vai participar da reforma, confiada ao colega Mendes da Rocha. "Acredito absolutamente no trabalho e na atitude respeitosa de Mendes da Rocha, assino embaixo do que ele achar necessário para os edifícios." Mendes da Rocha conta que sua atuação será de atualização técnica de suportes para receber exposições. "Iremos preparar os edifícios para receber exposições com o que há de mais novo em tecnologia de preservação de obra." Isso inclui a modificação dos reguladores de temperatura e de umidade do ar, iluminação e adaptação dos espaços de passagem, como a escada rolante do edifício que abrigava o Museu da Aeronáutica, que está sendo substutuída por elevadores.
A única exigência de Niemeyer foi a recuperação do projeto do teatro, que deverá ser construído para receber palco italiano. "Só reclamo que esse teatro seja feito na proximidade do Pavilhão da Bienal, como deveria ter ocorrido há muitos anos."
Ohtake calcula que a reforma geral - prevista para terminar em 2001 - custe entre R$ 15 e R$ 20 milhões à administração pública, que poderá fazer parcerias com empresas particulares. "Isso porque a reforma vai incluir muitos detalhes, que vão do plantio de árvores à instalação de equipamentos sofisticados nas áreas expositivas, passando pela limpeza do lago e reforma dos brinquedos infantis do parque", justifica ele.
Ohtake observa que algumas das modificações já estão em andamento. Além dos banheiros, que antes eram localizados sob a marquise e que foram transferidos para a entrada do parque, também deixaram o local as sedes da Associação dos Amigos do Parque do Ibirapuera e a empresa Terceiro Milênio. "O Museu do Presépio também vai para perto da entrada do parque e o restaurante sai até o fim do ano", garante o secretário. "O Museu da Aeronáutica foi transferido para a Rodovia Raposo Tavares e o do Presépio agora ocupa a Casa do Sertanista", continua ele.

mockup