Iberê Camargo ganha museu próprio
Porto Alegre - Pode parecer brincadeira, mas até o estacionamento da Fundação Iberê Camargo é bonito. Com piso branco e brilhante, foi o local escolhido para o coquetel de inauguração do prédio, em 30 de maio deste ano. O lugar recebeu, até agora, mais de 20 mil visitantes e já virou cartão-postal de Porto Alegre, à beira do Lago Guaíba, na Avenida Padre Cacique.
O projeto custou R$ 40 milhões e foi desenhado pelo arquiteto português Álvaro Siza, que coleciona prêmios na área, entre eles, o cobiçado Pritzker.A obra preserva a memória de um dos mais importantes pintores gaúchos do século 20. Iberê Camargo (1914-1994) nasceu em Restinga Seca, interior do Estado, e passou boa parte da vida no Rio de Janeiro.
A Fundação que leva seu nome foi criada em 1995, ano seguinte ao de sua morte, na antiga casa do pintor. Hoje, no novo prédio, abriga cerca de 4 mil obras, além de ateliês, biblioteca e um auditório. A exposição que inaugura o espaço segue em cartaz até 31 de agosto, com entrada gratuita. ''Iberê Camargo - Moderno no Limite'' mostra 89 obras de três fases da produção artística do pintor: carretéis, idiotas e ciclistas, marcadas por quadros de imagens distorcidas. ''Ele observava as pessoas andando de bicicleta no Parque da Redenção e começou a refletir sobre os movimentos da vida'', conta Michelle Pachego, monitora que faz visitas guiadas na Fundação e é estudante de Artes Visuais.
Quando estiver por lá, o ideal é subir de elevador até o quinto pavimento e descer pelas rampas até o térreo (não há escadas no local), passando por nove salas. Um dos quadros em destaque é o ''No vento e na Terra'', de 1992. A pintura tem diferentes tons de azul e um clima um pouco melancólico, como as outras da série ciclistas. Fica próxima de uma mesa que expõe alguns esboços de Iberê - um deles rabiscado em guardanapo, com o auto-retrato do pintor.
Arquitetura
Porto Alegre apresenta outros traços modernosos. É o caso do Centro Administrativo do Estado, na frente do Monumento aos Açorianos. O anfiteatro Pôr do Sol, no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, também tem desenhos arrojados e foi muito usado nas três edições do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, de 2001 a 2003. (L.F./Agência Estado)





